loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Uruguai quer livre com�rcio com EUA

Ouvir
Compartilhar

| Flávia Marreiro Folhapress O Uruguai pretende negociar ainda neste ano um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. A afirmação, feita pelo ministro da Economia do país, Danilo Astori, e desmentida na última sexta-feira pela chancelaria uruguaia, causou mal-estar na Argentina - que exerce a presidência pro tempore do Mercosul. Em entrevista ao semanário uruguaio ?Búsqueda?, Astori afirmou que a assinatura do acordo ?estava na agenda? e que já havia ?conversas informais? para ?começar o quanto antes as negociações?. ?Um tratado de livre comércio com os Estados Unidos não só pontecializa investimentos como pode gerar incrementos notáveis no nível de atividade?, afirmou. Disse ainda que desejava um acerto igual com a China. Pelas regras vigentes do Mercosul, porém, um membro pleno do bloco, como é o caso do Uruguai, não pode negociar isoladamente acordos bilaterais de livre comércio. Além de ignorar essa resolução, Astori também criticou os sócios maiores - Brasil e Argentina - por ?tomarem atitudes bilaterais que prejudicam os países menores?. Após as declarações, o subsecretário de Integração Econômica da Argentina, Eduardo Sigal, citou a decisão número 32, de 2000, que restringe o tipo de negociação e exigiu uma ?rápida retificação para evitar confusão e dano ao Mercosul e ao processo de integração?. O Itamaraty não quis comentar, mas fontes diplomáticas brasileiras também citaram a resolução 32. Na sexta-feira, em entrevistas a rádios argentinas, o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Reinaldo Gargano, desautorizou o colega da Economia: ?Não há nenhuma iniciativa governamental destinada a realizar um acordo de livre comércio com os EUA?. E completou: ?Se o chanceler não sabe, o presidente tampouco, então algum grau de falsidade deve haver na notícia?. Reafirmou que ?o programa? do Uruguai é manter-se no Mercosul e não apoiar à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Astori, espécie de Antonio Palocci do governo esquerdista de Tabaré Vázquez, aproveitou para dizer que preferia o modelo econômico chileno ao argentino. O Chile, assim como alguns países da América Central, assinou acordos de livre comércio com os EUA, parte da estratégia americana de avanço na região diante da recusa do Mercosul a aceitar a Alca. Antes do Uruguai, há dois meses, houve também rumores de que os americanos teriam convidado outro sócio do Mercosul a negociar: o Paraguai. Seriam acordos tanto comerciais como militares. A chancelaria paraguaia também desmentiu. Rusgas entre os vizinhos Além de serem sinal da conhecida insatisfação dos sócios menores do Mercosul com Brasil e Argentina, as declarações de Astori também acontecem em meio a uma escalada da tensão diplomática entre uruguaios e argentinos. Na sexta, em nota oficial sobre o tema, a chancelaria da Argentina negou ?categoricamente? que haja ?novos desentendimentos? entre os países. A relação é tensa porque a Argentina se opõe à construção de duas fábricas de processamento de celulose - uma finlandesa e uma espanhola - na fronteira do país com o Uruguai, por conta dos riscos ambientais. O governo Tabaré Vázquez defende as indústrias, que significarão um investimento de US$ 1,8 bilhão (13,6% do PIB do país que governa) numa região às margens do rio Uruguai. Ambientalistas internacionais e entidades argentinas da fronteira têm promovido bloqueios na ponte que liga os países para protestar contra as fábricas.

Relacionadas