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Nº 5731
Economia

Diretor do FMI passa serm�o no Brasil

| Ney Hayashi da Cruz e Sheila D'Amorim Folhapress Brasília - A festa para comemorar o pagamento antecipado da dívida do Brasil com o Fundo Monetário Internacional foi marcada por um sermão econômico no qual o antigo financiador, e agora “parceiro”, apr

Por | Edição do dia 11/01/2006 - Matéria atualizada em 11/01/2006 às 00h00

| Ney Hayashi da Cruz e Sheila D'Amorim Folhapress Brasília - A festa para comemorar o pagamento antecipado da dívida do Brasil com o Fundo Monetário Internacional foi marcada por um sermão econômico no qual o antigo financiador, e agora “parceiro”, apresentou suas receitas. Na avaliação do diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, apesar dos avanços obtidos pela economia brasileira nos últimos anos, o País não está aproveitando todo o seu potencial de crescimento. “O crescimento econômico brasileiro está acelerando e entrando numa fase de crescimento em torno de 4%, o que é importante. Mas o Brasil deve ter objetivos mais ambiciosos a médio prazo”, discursou. Para o espanhol, o País ainda “não explorou totalmente seu potencial” para atrair investimentos, mesmo tendo recebido nos últimos anos “grande volume de investimento privado”. O modelo sugerido para os próximos anos é o mesmo aplicado desde o final de 1998, quando o País iniciou o ciclo de acordos financeiros com o FMI que acaba agora: melhoria do esforço fiscal para reduzir a dívida, mais liberdade orçamentária, autonomia do Banco Central, mudança nas leis trabalhistas e ampliação do mercado de crédito. Ontem, em cerimônia no Palácio do Planalto, Rato fez um discurso mais longo do que o do presidente Luiz Inácio da Silva e o do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparentava mau humor na cerimônia - ela é a principal crítica das políticas de Palocci no governo. Mais aperto fiscal O Brasil antecipou o pagamento, no final do ano passado, dos US$ 15,6 bilhões que restavam do último acordo com o Fundo, com vencimento previsto para 2007. Rato defendeu mais aperto fiscal para reduzir a dívida pública dos atuais 51% do PIB para 40% em cinco anos - garantindo, segundo ele, ganhos de crescimento - a flexibilização das leis trabalhistas e o fim das linhas de crédito controladas pelo governo - medidas que, segundo o número um do FMI, levariam a economia brasileira a crescer mais. No momento em que propôs autonomia do BC, medida que causa polêmica dentro do PT, Lula fez cochichou com Palocci, e os dois sorriram. O presidente do BC, Henrique Meirelles, ouviu tudo sem demonstrar reação. ### Palocci defende política econômica FOLHAPRESS Brasília A gentileza do diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, que veio ao Brasil especialmente para a cerimônia a convite do governo, foi retribuída com elogios do presidente e de Palocci. “Ainda há vários desafios a vencer para que o país alcance seu vasto potencial de crescimento sustentado e atenda aos anseios de seu povo. O ritmo de crescimento melhorou recentemente, mas estou certo de que o Brasil pode ir ainda mais longe”, afirmou Rato, para quem o Brasil irá crescer, neste ano, “a uma taxa robusta de cerca de 4%”. O número é inferior aos 5% prometidos por Palocci a Lula na última reunião ministerial de 2005. Na mesma linha, Palocci discursou em defesa do sistema de metas de inflação, do câmbio flutuante e do ajuste fiscal. “Temos que dar ao nosso processo de consolidação fiscal uma perspectiva de longo prazo e melhorar a qualidade do ajuste que fizemos, diminuindo as fontes de rigidez do Orçamento”, disse. As “fontes de rigidez” são os direcionamentos obrigatórios previstos na Constituição para áreas como saúde e educação. Para Palocci, esses direcionamentos não trazem benefícios sociais suficientes e atrapalham o cumprimento das metas fiscais do governo. O ministro, porém, tentou diferenciar as ações do governo das propostas do FMI. “Nossa política econômica nunca foi nem poderia ser uma imposição do Fundo Monetário, mas sim uma opção responsável diante da necessidade de ajustar a economia e promover o crescimento econômico sustentado e a taxas elevadas”.

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