Economia
Brasil toma emprestado US$ 1 bilh�o
| Julianna Sofia Folhapress Brasília - O governo brasileiro realizou ontem o primeiro lançamento de títulos da dívida externa do ano e tomou emprestado US$ 1 bilhão no mercado internacional. Na operação, o Tesouro Nacional conseguiu obter o menor custo de captação - conhecido como ?spread?, taxa acima dos juros pagos pelo governo americano - desde 1996 para papéis brasileiros negociados no mundo inteiro. Os investidores que compraram o Global 2037 receberão juros de 7,557% ao ano até 2037. Na última captação, realizada em novembro de 2005, o Tesouro aceitou pagar juros mais altos (8,25%, para vencimento em 28 anos). O papel negociado ontem é o segundo mais longo dos títulos brasileiros da dívida externa. A duração é de 31 anos e perde só para os títulos de 40 anos (Global 2040). Os recursos da emissão soberana vão compor as reservas internacionais, que estão em cerca de US$ 55 bilhões. É das reservas que sai o dinheiro usado no pagamento da dívida externa pública. Com a operação de ontem, o Tesouro elevou para US$ 4,5 bilhões o total de recursos que poderão ser usados para pagar parcelas da dívida externa que vencem neste ano. Aproveitando o cenário internacional favorável para o Brasil, o governo antecipou em 2005 o plano de captações para honrar os vencimentos do período 2006/2007. Em 2005, foram realizadas quatro operações externas, com captação antecipada de US$ 3,5 bilhões. Em 2006/2007, vencerão US$ 11,8 bilhões em títulos da dívida externa. Ao todo, em 2005, o Tesouro tomou emprestados US$ 8 bilhões lá fora. Foi o maior volume obtido pelo país no mercado internacional em um único ano desde 1994. Dólar A alta de 0,53% registrada ontem pelo dólar, após cinco dias de queda, não foi encarada como sinal de mudança de rumo no câmbio. A tendência, avaliam analistas, ainda é de baixa para a moeda, que fechou ontem a R$ 2,262. Independente de o dólar ter sido negociado em alta durante quase todo o dia, o Banco Central realizou seus leilões e comprou US$ 417 milhões do mercado futuro e outros estimados US$ 150 milhões diretamente dos bancos. A Bovespa caiu 0,81%.