Economia
Financiamento deve ficar mais barato
| FOLHAPRESS Brasília Como contrapartida à redução do preço do combustível na usina, o governo se comprometeu a definir, até maio, quando começa o período de safra, formas de financiamento mais baratas para aumentar os estoques de álcool. Segundo técnicos do governo que participaram das discussões, a idéia é estabelecer um sistema de estocagem que evite oscilações fortes da cotação do produto nos períodos de safra e entressafra. De acordo com os técnicos, o custo das linhas de financiamento disponíveis no mercado é considerado alto, e o setor reivindica que o governo assegure recursos do Orçamento para esse fim. De acordo com fontes envolvidas nas discussões, no entanto, o governo não se comprometeu com nenhum valor específico, mas prometeu encontrar uma solução para o problema. O tema deve começar a ser discutido na próxima reunião da Câmara Setorial de Cana-de-Açúcar, a ser realizada no fim do mês. O governo aventou também a possibilidade de tributação maior sobre automóveis bicombustíveis, o que tornaria esses veículos mais caros do que os só a gasolina e, a médio prazo, reduziria a demanda por álcool. Entre os usineiros, não havia consenso sobre como reagir aos argumentos do governo. Usineiros que dispõem de estoques mais altos do produto estavam mais propensos a aceitar a proposta do governo. Como não havia consenso, antes de aceitar, os usineiros se reuniram em separado e colocaram a proposta em votação e a aprovaram por maioria. Segundo o presidente da União da Agroindústria do Estado de São Paulo (Unica), Eduardo de Carvalho, o valor do acordo foi definido segundo o esforço permitido aos produtores. O setor privado diz que os estoques são suficientes para atender as demandas dos mercados interno e de exportação, mas ficou acertado também que, se necessário, a colheita da cana-de-açúcar pode ser antecipada de maio para março para garantir o abastecimento do mercado.