Economia
Importador certifica mercadoria chinesa
| Cíntia Cardoso Folhapress São Paulo - O combate à reputação de má qualidade dos produtos populares, típicos das chamadas lojas de R$ 1,99, é a proposta da Associação Brasileira dos Importadores de Produtos Populares (Abipp) com a criação de um selo de certificação de origem e de qualidade para esse tipo de mercadoria. ?Queremos acabar com esse estigma de contrabandistas. Queremos dar mais garantias para o nosso consumidor?, disse Gustavo Dedivitis, presidente da Abipp. Em fevereiro, chegará ao Brasil o primeiro contêiner com produtos importados da China com o recém-criado selo da Abipp. Nessa primeira leva, estarão artigos para Páscoa e para o Dia das Mães. Hoje, apenas os brinquedos - tanto nacionais quanto importados - têm um selo de certificação concedido pelo Inmetro. O volume de produtos populares importados, entretanto, é muito mais vasto. Estima-se que haja aproximadamente 6 mil à venda no Brasil. Os líderes da preferência são de fato os brinquedos, mas utensílios domésticos também são requisitados. A maioria desses artigos é de origem chinesa. ?Qualquer iniciativa para melhorar as garantias para os consumidores é sempre bem-vinda?, afirmou o diretor jurídico do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Marcos Diegues. O advogado, porém, ressalta que a criação de selos por associações tem como ponto frágil a fiscalização. ?É muito difícil de se fazer. Já vi casos de falsificação de selos. Aí, toda a boa intenção perde a finalidade?. Segundo Dedivitis, o processo de certificação que a Abipp vai aplicar às mercadorias importadas vai seguir padrões semelhantes aos dos órgãos brasileiros que realizam esse tipo de serviço. A expectativa de entidade, que calcula ter uma fatia de 30% do mercado brasileiro, é utilizar o selo em 150 milhões de peças importadas da China neste ano. ?A criação do selo é um trabalho de profissionalização do nosso setor. A informalidade e a pirataria atrapalham muito a nossa imagem?, diz Dedivitis. O gesto da associação também pretende arrebanhar os consumidores com maior poder aquisitivo que ainda olham com desdém a compra de quinquilharias chinesas. Para 2006, a meta é crescer 30%, talvez já com uma participação mais expressiva dos clientes da classe B, espera a Abipp. Com o impulso das classes C, D e E, esse setor movimentou R$ 9,5 bilhões em 2005, segundo projeções do mercado.