Economia
Rede varejista tem crescimento discreto
| Adriana Mattos Folhapress São Paulo - O grupo Pão de Açúcar registrou alta de 5,4% nas vendas brutas no ano passado e acumulou faturamento de R$ 16,1 bilhões - manteve-se, portanto, à frente do concorrente Carrefour. A rede francesa fechou 2005 com receita bruta de R$ 11 bilhões (4 bilhões de euros), o que representa um crescimento de 7,7% em relação a 2004. Os números foram publicados semana passada pelas duas empresas. Ao comparar o desempenho das duas redes varejistas (em relação às vendas das mesmas lojas que tinham em 2004 e 2005 - excluindo, portanto, o efeito da abertura de pontos-de-venda), o Pão de Açúcar cresce 2,6% sobre o ano anterior. Já o Carrefour registra uma alta de 2,1%, informa o balanço financeiro da cadeia publicado na França. Em ambos os casos, as redes têm as mesmas explicações para esse discreto resultado. O Pão de Açúcar cita o ?ambiente de consumo retraído, resultante do baixo poder aquisitivo dos consumidores e da diminuição do nível de confiança verificada a partir do início do segundo semestre?, como fatores ruins para o desempenho, relata em seu comunicado. Além disso, nos últimos meses, as redes supermercadistas culpam o uso do empréstimo consignado pelo resultado ruim das lojas. No consignado, o trabalhador pede um empréstimo ao banco e a parcela para o pagamento desse financiamento ocorre direto no contracheque. Isso reduz o salário final para consumo de itens como alimentos. Para o Carrefour, do mesmo modo, ?as vendas continuam impactadas pela desaceleração no consumo?. A rede francesa faz, porém, outro adendo: cita o efeito ?canibalização pela forte política de expansão orgânica da rede?, como outro provocador para essa expansão de um dígito nas vendas em 2005. A abertura ou a compra de lojas próximas a pontos já existentes favorece no varejo esse processo de canibalização nos resultados. Na tentativa de impedir que o concorrente fique com um ponto-de-venda próximo ao seu, a rede se ?protege? e busca ficar com o terreno antes da cadeia varejista rival. Reestruturações internas foram comandadas durante todo o ano e devem continuar em 2006 para tentar aumentar a eficiência das lojas e melhorar o resultado. ### Grupos fazem anúncio de investimentos FOLHAPRESS São Paulo No comunicado publicado na última quinta-feira, o Pão de Açúcar cita iniciativas para reduzir gastos (como a centralização na compra de produtos que os departamentos internos da empresa usam) para exemplificar essa tentativa. No caso do Carrefour, a empresa afirma que empregou esforços para eliminar custos de sua unidade de supermercados (a rede Champion), fechando lojas. Foram 20 no Rio de Janeiro e 14 em todo o Brasil em 2005. Investimentos em 2006 Foi publicado também na quinta-feira o próximo plano de investimento do grupo Pão de Açúcar e, com isso, é possível saber quanto as redes gastarão em 2006. A rede pretende investir R$ 1,5 bilhão no biênio 2006/2007 - a companhia não especifica os gastos deste ano. Quer abrir de 16 a 20 hipermercados Extra e entre 40 a 60 supermercados (CompreBem, Pão de Açúcar ou Sendas). A empresa norte-americana Wal-Mart, a maior rede varejista do mundo, já anunciou que pretende gastar R$ 600 milhões para abrir 15 novos pontos no decorrer deste ano. No Carrefour, os gastos devem atingir R$ 700 milhões e serão investidos na abertura de 15 lojas em todo o Brasil, segundo a direção da empresa informou recentemente. O anúncio dos valores é feito anualmente, mas nem sempre as redes gastam aquilo que afirmam de forma preliminar.