loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Ministro do Uruguai ataca Mercosul

Ouvir
Compartilhar

| Flávia Marreiro Folhapress Buenos Aires, Argentina - O ministro da Agricultura do Uruguai, José Mujica, disse que os compromissos do Mercosul ?não servem para um c...?. O ataque ocorre uma semana depois de integrantes do governo Tabaré Vázquez defenderem um acordo de livre comércio com os Estados Unidos e em meio a uma crescente tensão diplomática entre Uruguai e Argentina. Mojica, que é ex-guerrilheiro do grupo esquerdista Tupamaro, fez as declarações ao jornal semanal ?Búsqueda?. Embora tenha também defendido um tratado de livre comércio com os americanos, a virulência do ministro, antes direcionada a todos os sócios, tenta atingir os argentinos. É que a Argentina se opõe à construção de duas fábricas de celulose no território do vizinho (US$ 1,8 bilhão em investimentos), às margens do Rio Uruguai, na fronteira entre os países, por causa dos riscos ambientais. Para protestar, ambientalistas argentinos têm fechado pontes de acesso todos os fins de semana, quando milhares de turistas costumam cruzar a fronteira. Segundo Mujica, o país enfrenta ?uma guerra de sabotagem? a sua economia. Chamou de ?politicagem barata? a oposição argentina. ?O Mercosul inteiro decidiu poluir os grandes rios, e isso nada tem a ver com a produção de celulose?, defendeu. À crise entre os vizinhos, somaram-se as declarações de influentes ministros uruguaios a favor de acordo de livre comércio com os americanos desde a semana passada. Um acerto Uruguai-EUA é proibido pelas regras do Mercosul: só se negocia em bloco. A chancelaria uruguaia negou, mas a defesa do acordo entre membros do gabinete continuou, em uma evidência de racha da coalização frouxa que elegeu Vázquez. Houve mal-estar entre os sócios maiores do Mercosul. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, porém, tentou acalmar os ânimos, ao afirmar que a insatisfação uruguaia é legítima. Analistas e diplomatas brasileiros afirmam que os rumores em torno de um acordo com os EUA visam justamente ?posicionar melhor? o Uruguai no Mercosul - estratégia parecida à usada pelo Paraguai para obter compensações dos sócios maiores. Parece funcionar o raciocínio. Na quinta-feira mesmo, segundo a imprensa uruguaia, o embaixador do Brasil no país, Eduardo dos Santos, reuniu-se com o chanceler uruguaio, Reinaldo Gargano, e prometeu mais investimentos brasileiros nas áreas de combustíveis e tecnologia. O fato é que o semanário ?Búsqueda? também diz que ministros uruguaios, entre eles o moderado titular da Economia, Daniel Astori, viajarão aos EUA para preparar nova visita de Tabaré ao país, em maio, quando o acordo de livre comércio seria discutido. Na sexta-feira, a uma rádio, Gargano afirmou que o acordo ?deve acontecer?, desde que os americanos retirem da lista de produtos sensíveis lã e carne, por exemplo, componentes do grosso da pauta exportadora do país.

Relacionadas