Economia
Forr� em ato contra patente de rapadura
| Talita Figueiredo Folhapress Rio de Janeiro - ?Olê mulher rendeira, olê mulher rendá, a rapadura é brasileira, não pode patentear.? Foi em ritmo de forró o protesto realizado por integrantes da Feira de São Cristóvão em frente ao Consulado da Alemanha, em Laranjeiras (zona sul do Rio), contra o registro da marca ?rapadura? por uma empresa alemã. Todos usavam chapéu de couro e vestiam roupas típicas. A música vinha de um acordeão, dois triângulos e uma zabumba. Os dez manifestantes cantaram a música ?A rapadura é nossa?, dançaram e recitaram a poesia ?Viva a nossa rapadura?. A letra da música e a poesia são da pernambucana Maria Nordestina, 67. No Rio desde 1975, mas com o sotaque inconfundível, ela cantou em frente ao consulado, com uma bandeira do Brasil nos ombros e rapadura na mão. Em 1989, a empresa de alimentos orgânicos alemã Rapunzel registrou a rapadura como marca de seu açúcar orgânico, na Alemanha. Sete anos depois, fez o mesmo nos EUA. O Brasil descobriu apenas em 2005, depois de um comunicado anônimo chegar à Divisão de Propriedade Intelectual do Itamaraty. O Brasil já mobilizou suas representações diplomáticas em Berlim, Washington e Brasília contra a pequena empresa alemã. Além de ter registrado a rapadura, a Rapunzel compra cerca de 600 toneladas do produto no Brasil. O problema, para o País, é que os exportadores brasileiros da rapadura que venderem o produto com esse nome para a Alemanha ou os EUA serão obrigados a pagar royalties à Rapunzel pelo uso da marca registrada. Esse é um dos pontos mais criticados pelo presidente da Feira de São Cristóvão, Agamenon Almeida, que liderou a manifestação em frente ao consulado, na sexta-feira passada pela manhã. ?A rapadura é um produto tipicamente brasileiro, ?bichinho?, a gente come lasca de rapadura até com feijão. Não é justo que a gente pague royalties. Ela tem que ?arretadamente? voltar para a gente. Imagina se o Brasil resolve patentear o chucrute?, brincou Agamenon.