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Nº 5731
Economia

30 anos depois, P�lo ainda � alternativa

| BLEINE OLIVEIRA Repórter Apesar das mais de três décadas de paralisação, o projeto do Pólo Cloroquímico de Alagoas pode e deve ser retomado, especialmente agora em que a economia mundial busca alternativas energéticas. O Estado precisa aproveitar o in

Por | Edição do dia 15/01/2006 - Matéria atualizada em 15/01/2006 às 00h00

| BLEINE OLIVEIRA Repórter Apesar das mais de três décadas de paralisação, o projeto do Pólo Cloroquímico de Alagoas pode e deve ser retomado, especialmente agora em que a economia mundial busca alternativas energéticas. O Estado precisa aproveitar o início de um novo ciclo econômico mundial, que cedo ou tarde chegará aqui na busca por fontes de energia substitutivas do petróleo. Assim, retomar o que foi interrompido no início da década de 80, com o que os estudiosos chamam de desmantelamento do Estado brasileiro, é a saída para livrar Alagoas da pobreza social e econômica a que está submetido. A indicação do rumo para o Estado chegar ao desenvolvimento é do engenheiro civil Beroaldo Maia Gomes, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Reconhecidamente uma autoridade em planejamento público, ele voltou, na última quinta-feira, 12, com a reportagem da Gazeta, à área do Pólo. O professor Beroaldo é um dos criadores desse projeto que deveria ser a redenção econômica do Estado. Para ele, Alagoas está destinado a se transformar num dos gigantes nacionais da indústria química. Confiança É com a autoridade de quem fez parte da equipe que elaborou o projeto de criação do pólo e criou a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), e de quem exerceu os principais cargos na área de planejamento da administração estadual, que o professor Beroaldo Maia Gomes rechaça as afirmações pessimistas de que o pólo está totalmente falido. “Não se trata de otimismo, mas de uma análise com base no conhecimento da realidade. O Pólo Cloroquímico cumprirá sua função, mesmo com 30 anos de atraso”, assinalou o veterano engenheiro. ### Alagoas deve defender Pólo, como BA defendeu Camaçari Na verdade, reconhece Beroaldo, o processo de interrupção dos pólos industriais começou no final dos anos 60, como imposição dos Estados Unidos. “O Brasil, e claro nós alagoanos, fomos vítimas da política de dominação do poder americano”, acrescenta ele. “Chega de nos depreciarmos. Vamos agir com inteligência, como um povo que tem capacidade e riquezas!”, completa. O “puxão de orelhas” do professor Beroaldo Maia Gomes deve ser considerado não apenas por seu conhecimento como planejador e especialista em economia, mas principalmente por sua imensa contribuição ao que Alagoas tem hoje de desenvolvimento. “Ao invés de um comportamento derrotista, a sociedade alagoana deve se informar sobre sua história econômica para melhor defender seus interesses”, diz Beroaldo. O professor compara o que ocorreu com o Pólo Cloroquímico de Marechal Deodoro e a realidade do Pólo de Camaçari, na Bahia. Em Alagoas, as lideranças políticas não tiveram capacidade para manter o projeto, a despeito da imposição americana de impedir que o Brasil se tornasse auto-suficiente em fontes energéticas. Os EUA previam que o País seria, no setor da chamada química fina, o que o Japão é hoje em termos de tecnologia e eletrônica. O esquartejamento do que já havia sido construído no País, inclusive em Alagoas, se materializa com a privatização da Petroquisa, estatal brasileira que até meados dos anos 80 investia nos pólos químicos. “Mas enquanto na Bahia as forças políticas se uniam para que seu pólo continuasse crescendo, e hoje Camaçari é o que todos sabemos, aqui a estagnação encontrou campo fértil para se estabelecer”, frisa Beroaldo Maia Gomes. O projeto alagoano parou de crescer ainda no seu início. “Aqui seria a base de um projeto industrial capaz de absorver cerca de 300 empresas”, afirma Maia Gomes. “Lamentavelmente”, acrescenta ele, “aquela base industrial está hoje subutilizada, representando pouco daquilo para o qual foi planejada. Estamos diante de um projeto interrompido por 30 anos”, reafirma. Indagado se “há luz no final do túnel”, ele responde com absoluta segurança: “mais do que isso, há uma perspectiva real de retomada desse projeto que será, de fato, a saída econômica do Estado”.|BL ### Crescimento do pólo inclui salgema, álcool e o gás O povo alagoano e seus governantes devem parar de perder tempo. É preciso investir em estudos, planejar o futuro, preparando-se para o desenvolvido industrial que se aproxima. “Descrer nisso é burrice”, diz o professor Beroaldo Maia Gomes, reafirmando sua certeza, baseada em estudos técnicos e em análises econômicas, de que “o que foi feito há 30 anos vai começar a dar frutos”. Ele diz com total convicção que, por suas riquezas, não há como impedir a vocação alagoana de se transformar num pólo tecnológico. Entre as riquezas, o professor cita o salgema, o álcool e o gás natural. O que precisa ser feito, é um reestudo da situação atual, enquanto se prepara a sociedade para esse futuro. “Vamos trabalhar para gerar emprego qualificado, investindo em ciência aplicada”, propõe o mestre. BL ### Sudene recriada favorece pólo alagoano Durante boa parte da noite de quarta-feira passada, 11, o professor Beroaldo Maia Gomes discutiu com o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que passou a semana em Alagoas, o projeto de reativação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O encontro foi na casa de Beroaldo, no bairro do Farol, e o tema central das conversas entre dois velhos amigos foi uma questão que tem mobilizado como nunca a bancada nordestina no Congresso Nacional. Criada em 1959 por Juscelino Kubstchek, a Sudene tem um longo histórico de luta contra a seca no Nordeste, mas também tinha como objetivo coordenar ações para o desenvolvimento da região. Desenvolver o Nordeste tendo a industrialização como principal via, é uma posição que o professor Beroaldo Maia Gomes, alagoano de Joaquim Gomes, sempre defendeu. Um dos fundadores daquela autarquia, ele disse ao presidente da Câmara que sua recriação deve ser parte de um Programa Nacional de Mobilização Econômica. Recomeço em AL O projeto de recriação da Sudene, enviado pelo presidente Lula ao Congresso, já foi aprovado pelo Senado. Essa recriação, acredita o professor, deverá ajudar na retomada do desenvolvimento industrial de Alagoas. O Pólo Cloroquímico, defende ele, deve estar na ponta da lista de ações desenvolvimentistas. Além de sua retomada, o professor Beroaldo acredita que, diante das condições atuais de mercado, o Pólo poderá ser até duplicado em médio prazo. “As nossas condições em recursos humanos e naturais, tais como recursos hídricos, solo, subsolo, umidade, calor, vento e outros, favorecem que Alagoas seja campeão em energia renovável e possa ter um Pólo Tecnológico Alcoolquímico”, escreveu ele, no trabalho Planos de desenvolvimento de Alagoas - 1960/2000”, de Luiz Antonio Palmeira Cabral. O trabalho “mostra que Alagoas teve 12 planos de desenvolvimento durante o mandato de 18 governadores”, revela Beroaldo. |BL ### Pólo diversifica e desvirtua idéia original FELIPE FARIAS Repórter O pólo de Marechal Deodoro não se consolidou como unidade de concentração de indústrias químicas, para o qual foi planejado, mas ainda dispõe de todas as condições para tal. A avaliação é uma espécie de consenso entre operadores e analistas. “Enquanto salvação para o setor cloroquímico, em especial, e até para o Estado como um todo, pode-se dizer que o pólo é quase um mico”, diz o economista Fernando Lira. Mas o consultor Geminiano Jurema, em cuja gestão como secretário de Indústria e Comércio foi desenvolvida a legislação de incentivos fiscais para indústrias dos setores químico e plástico em Alagoas, destaca as potencialidades daquele espaço. “O polo possui uma infra-estrutura perfeita, principalmente em se tratando do Nordeste. Pode até haver outro pólo fabril com as mesmas condições; porém, melhor, não existe”. O atual secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Alberto Cabús, diz acreditar que o pólo voltará a se desenvolver por causa da escolha desses setores como prioridade para a oferta dos incentivos de captação das empresas. “Povoar o pólo com indústrias de outros setores foi uma opção que, se comprovou depois, não deu certo. A gestão atual é que está dando prioridade a esse segmento, por entender que ele é o que está mais adequado ao perfil que o próprio pólo já possui”, explica. Para ele, essa era a avaliação que deveria ter sido feita antes da concessão de espaço para instalação de unidades de outros segmentos que não estariam diretamente associados à “vocação” do pólo, idelizado para abrigar indústrias das várias gerações (etapas) do setor químico: das chamadas indústrias de primeira geração, que produzem as matérias-primas mais elementares - que servem de base para o funcionamento e atração das que trabalham com as etapas mais elaboradas, a chamada química fina. ### Demora na definição da matriz energética atrasou o projeto Para o atual secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Alberto Cabús, o pólo de Marechal Deodoro teve como problema no período de sua concepção, ainda na década de 70, a concorrência com outras unidades semelhantes voltadas para a área química, como o de Camaçari, na Bahia, e até o do Rio Grande do Sul. Durante o período de desenvolvimento, na década seguinte, o problema se constituiu na definição da matriz energética que serviria de foco para atração das indústrias. Cadeia produtiva Segundo Cabús, havia a concepção de se criar uma cadeia produtiva em química, a partir dos subprodutos derivados do álcool - o que acabou não se consumando. “A tudo isso, se acrescente as questões de ordem conjuntural, como a fusão de empresas que se deram ao longo desse período - e que sempre se reflete no funcionamento das unidades industriais - e até os problemas técnicos mais comuns, como os que ocorrem nas plantas (como são denominadas tecnicamente as estruturas produtoras das indústrias químicas). Sem falar na questão política, já que um pólo como este tem de receber atenção especial do governo federal”, avalia. Segundo o consultor Geminiano Jurema, o Estado teve ainda problemas legais na hora de ceder terrenos para as indústrias que quisessem se instalar no pólo. “Como havia muitos problemas financeiros, muitas dessas áreas, que pertenciam ao Estado, se encontravam penhoradas”. Mas, segundo Cabús, a escolha de um segmento específico e que está afinado com o perfil do local - o de química e plástico - é o que pode fazer a diferença para recuperação da unidade. “Houve uma concepção errada de ‘povoar’ o pólo com indústrias de outros segmentos. Isso não deu certo. Por isso, foi feita a escolha por captar empresas dos segmentos químico e de plástico”, explica. Segundo o secretário Cabús, prova do acerto dessa escolha é o fato de indústrias que se instalaram após isso estarem sendo ampliadas. |FF

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