Economia
Faturamento cresce ap�s quatro quedas
| Fernando Itokazu Folhapress Brasília - Após quatro meses de queda, o faturamento industrial registrou em novembro do ano passado um crescimento de 3,84% (dado dessazonalizado) em comparação a outubro. O indicador havia acumulado retração de 3,61% entre julho e outubro. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que ontem divulgou o boletim ?Indicadores Industriais?, explica o aumento nas vendas como um reflexo do início do processo de afrouxamento da política monetária e da expansão do volume de crédito. O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou em setembro a redução da taxa básica de juros, que atualmente é de 18% ao ano. ?Esses fatores sinalizam um ambiente mais favorável. A política restritiva segurou o desempenho da indústria. Agora, há sinais de que a atividade pode começar a reagir?, disse o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. Adequação O aumento das vendas em novembro ocorreu sobre uma base baixa, já que em outubro o indicador teve seu menor nível em 2005. Em novembro, o faturamento industrial voltou ao mesmo nível que apresentava no final do segundo trimestre do ano. Os dados da CNI mostram também uma queda de 1,04% em horas trabalhadas na produção. Esse resultado, combinado com a melhora nas vendas, reflete uma adequação no nível de estoques, segundo a CNI. Em outubro, a indústria registrou resultados opostos aos de novembro, com expansão nas horas trabalhadas e recuo nas vendas. Isso teria resultado no crescimento dos estoques. Outra variável que apresentou queda em novembro foi pessoal empregado. O nível de emprego, que apresentava estabilidade havia seis meses, recuou 0,36%. A explicação para isso no momento em que acontece a recuperação em faturamento é que o nível de emprego apresenta defasagem em relação às vendas e refletiria o período de desaquecimento da atividade econômica. A projeção é que o primeiro trimestre deste ano seja marcado pela estabilidade na indústria, com pequenas oscilações. ?A economia deve evoluir de maneira gradual. Uma surpresa pode acontecer se o Banco Central for mais agressivo no corte do juros?, afirmou Castelo Branco. A CNI prevê queda de 0,75 ponto percentual na reunião de hoje do Copom. Para o economista, há espaço para o país crescer sem gerar pressões inflacionárias, uma das preocupações do Banco Central. ### Varejo cresce menos que em 2004 Pedro Soares Janaína Lage Folhapress Rio de Janeiro - O volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,26% em novembro de 2005 na comparação com outubro, já excluídos os efeitos sazonais (típicos de cada período). No acumulado de janeiro a novembro, o desempenho foi melhor, com expansão de 4,82%. O percentual é, porém, inferior ao resultado de 2004, quando as vendas subiram 9,2%. Na comparação com o mesmo mês de 2004, as vendas aumentaram 4,87%. Para o IBGE, a variação de outubro para novembro ?representa apenas pequena elevação? nas vendas, depois de um trimestre em que o setor oscilou entre quedas e estabilidades. ?O resultado de novembro não mostra um avanço muito significativo. Na ponta, o comércio está caminhando para um comportamento de estabilidade?, disse Nilo Lopes de Macedo, economista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. Recuperação lenta da renda dos trabalhadores, juros ainda em patamar elevado e crédito com menos fôlego são as causas da perda de dinamismo do comércio, dizem IBGE e especialistas. ?Estamos prestes a completar um semestre em que o comércio varejista não vai bem. O pior momento do setor como um todo ocorreu em agosto e setembro, mas a diminuta variação positiva dos meses seguintes não foi capaz de alterar o quadro de baixo dinamismo médio do setor, que sofre os efeitos do inexpressivo ganho real de rendimento e da evolução menos intensa do crédito ao consumidor no segundo semestre de 2005. Taxas de juros menores e maior crescimento são os fatores que poderiam modificar esse cenário?, afirmou Aprígio Rello, diretor do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). Em novembro, as vendas de móveis e eletrodomésticos voltaram a se acelerar - alta de 3,56%, ante queda de 0,48% em outubro - e as de combustíveis e lubrificantes subiram 0,27%. Mas as demais atividades viram quedas - 0,52% para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e 0,02% para tecidos, vestuário e calçados. Apesar da demora da reação do rendimento, a Austin Rating prevê que o comércio varejista tenha encerrado 2005 com um volume de vendas 3,6% maior que o verificado em 2004. Para o ano de 2006, a expectativa é de que o volume de vendas cresça 6,5%.