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Nº 5731
Economia

Vendas caem e frustram supermercados

| FABIANA FUTEMA Folha Online As vendas de dezembro dos supermercados brasileiros caíram 3,84% em relação ao mesmo mês de 2004, segundo balanço divulgado semana passada pela Associação Brasileira dos Supermercados (Abras). O resultado frustrou o setor s

Por | Edição do dia 29/01/2006 - Matéria atualizada em 29/01/2006 às 00h00

| FABIANA FUTEMA Folha Online As vendas de dezembro dos supermercados brasileiros caíram 3,84% em relação ao mesmo mês de 2004, segundo balanço divulgado semana passada pela Associação Brasileira dos Supermercados (Abras). O resultado frustrou o setor supermercadista, que esperava por um aumento nas vendas de até 4%. O péssimo desempenho também se refletiu nas vendas da semana de Natal, que tiveram uma alta de 5% frente a igual período de 2004. A Abras projetava um aumento nas vendas da semana de Natal de até 10%. Para o presidente da Abras, João Carlos de Oliveira, o resultado aquém do esperado é reflexo da combinação de uma série de fatores, como juros em alta, desemprego elevado, renda comprimida e endividamento da população impulsionado pela expansão do crédito consignado - com desconto direto na folha de pagamento. “Num mercado retraído, em que os consumidores vão empurrando as dívidas e contraindo novas dívidas, o crédito consignado acaba afetando o poder futuro de compra da população”, afirmou Oliveira. importados Além disso, a venda dos produtos importados não produziu o efeito positivo desejado pelo setor supermercadista. Embora as vendas de importados tenham crescido 17,5% em volume em dezembro, em receita o avanço foi de apenas 6%. “A depreciação do dólar reduziu o preço dos importados. E o aumento das vendas em volume não foi significante para a receita do setor”, afirmou Oliveira. Outro fator detectado pela Abras foi a mudança de hábito do consumidor, que voltou a substituir produtos de primeira marca por outros mais baratos. “Isso aconteceu com os panetones, por exemplo. O consumidor preferiu o panetone mais barato à marca mais conhecida. Em vez de vinhos europeus, comprou produtos da América do Sul, que são mais baratos”, disse o presidente da Abras. Segundo ele, o desempenho de dezembro deu continuidade à queda nas vendas verificada a partir de abril de 2005. “Tivemos um primeiro trimestre bom. A partir de abril a situação piorou e o clima de otimismo esperado pelo início da redução dos juros não influenciou as vendas do setor.” Como resultado, o setor fechou o ano com uma alta real nas vendas de 0,66% - muito abaixo do crescimento de 2% a 2,5% projetado pela Abras. Para 2006, a associação espera por um incremento nas vendas de 2,5%. “Esperamos pela repetição do ano de 2004, que foi bom e recuperou parte das perdas de 2003. Se ocorrer o mesmo, 2006 recuperará parte do resultado que não foi alcançado em 2005”, disse Oliveira. Essa projeção também se sustenta nos investimentos anunciados pelas redes supermercadistas de expansão do número de lojas. Pelos cálculos da Abras, o crescimento físico do setor é da ordem de 8% a 10% ao ano. ### Em 2005, vendas chegaram a R$ 105 bi FABIANA FUTEMA Folha Online As vendas reais do setor supermercadista brasileiro atingiram R$ 105 bilhões, segundo estimativa da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras). Esse desempenho representou um avanço de 0,66% em relação a 2004 e ficou muito abaixo das expectativas da Abras, que projetava para 2005 um crescimento nas vendas de 2% a 2,5%. Em 2004, quando o faturamento do setor totalizou R$ 98,5 bilhões, a alta nas vendas dos supermercados foi de 2,57% frente a 2003. O presidente da Abras, João Carlos de Oliveira, também atribui o péssimo resultado de 2005 à política de juros altas combinada ao desemprego elevado e renda comprimida. “Tínhamos uma expectativa, que não se confirmou, de que o início da queda dos juros iria criar um clima favorável ao consumo”, disse ele. Outro fator detectado pela Abras foi a mudança de hábito do consumidor, que voltou a substituir produtos de primeira marca por outros mais baratos. “O consumidor preferiu o panetone mais barato à marca mais conhecida. Em vez de vinhos europeus, comprou produtos da América do Sul, que são mais baratos”, disse o presidente da Abras. A depreciação do dólar também contribuiu para a redução da receita dos supermercados com a venda de produtos importados. Em dezembro, por exemplo, a venda de importados cresceu 17,5% em volume, mas em receita a expansão foi de apenas 6%. “A depreciação do dólar reduziu o preço dos importados. E o aumento das vendas em volume não foi significante para a receita do setor”, afirmou. Para 2006, a Abras espera por um incremento nas vendas do setor supermercadista de 2,5%. “Esperamos pela repetição do ano de 2004, que recuperou parte das perdas de 2003. Se ocorrer o mesmo, 2006 recuperará parte do resultado que não foi alcançado em 2005”, disse Oliveira. Os três maiores grupos - Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart - anunciaram investimentos de R$ 2,8 bilhões na abertura de lojas. O gigante norte-americano Wal-Mart, que em 2005 comprou a rede Sonae, pretende gastar R$ 600 milhões neste ano para abrir 15 novos pontos. O Carrefour informou que deve investir R$ 700 milhões na abertura de 15 lojas. O Pão de Açúcar anunciou que vai investir R$ 1,5 bilhão no biênio 2006/2007 na abertura de 16 a 20 hipermercados Extra e entre 40 a 60 supermercados (CompreBem, Pão de Açúcar ou Sendas).

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