Economia
�lcool desperta interesse de japoneses
| PETRÔNIO VIANA Repórter O governo japonês tem manifestado interesse em iniciar a importação de álcool etílico ou etanol produzido no Brasil a partir do bagaço da cana-de-açúcar. A possibilidade foi revelada ao vice-presidente da Câmara Federal, deputado José Thomaz Nonô (PFL), pelos próprios parlamentares japoneses, em uma recente viagem de Nonô ao Japão, para participar de discussão sobre aspectos do Protocolo de Kioto, que traça metas para a redução dos níveis de poluição em todo o mundo. Nonô é membro da União Interparlamentar, que congrega representantes do Poder Legislativo de 148 países, e foi eleito co-relator do tema da próxima conferência da entidade, em Nairobi, no Quênia, que debaterá o Protocolo de Kioto. De acordo com o deputado, os japonenses, que importam todo o petróleo usado na produção de combustível daquele país, cogitam passar a adicionar uma margem entre 3% e 3,5% de etanol a sua gasolina. ?Como, evidentemente, a economia japonesa é uma voraz consumidora de petróleo, esse quantitativo seria a redenção do Brasil, porque absorveria, sem dúvida, uma parte ponderável da produção brasileira?, avalia Nonô. De acordo com o deputado, os parlamentares japoneses fizeram diversos questionamentos a respeito do programa de etanol brasileiro. Como o volume de etanol a ser importado seria muito grande, o Brasil estaria entre os poucos países do mundo com uma capacidade de produção capaz de atender à demanda japonesa. O álcool apresenta duas vantagens para o governo japonês. A primeira seria ambiental, ou seja, por ser uma energia ?limpa?, renovável, o combustível seria uma alternativa para reduzir os índices de emissão de gases poluentes no Japão, país que se comprometeu dentro do Protocolo de Kioto a reduzir esses índices em 5% nos últimos anos. O que tem acontecido, no entanto, é o contrário, com o aumento de 8% na emissão de gases. A segunda vantagem do álcool seria econômica, com a substituição proporcional do volume de gasolina consumida atualmente no país por um combustível negociado a preços muito inferiores do que os U$ 68,00 cobrados pelo barril de petróleo no mercado mundial. ### Negociações podem demorar até 3 anos Segundo o deputado federal José Thomaz Nonô (PFL), que conversou com o governo japonês sobre a possibilidade de o Brasil passar a fornecer álcool etílico ou etanol para aquele país, as negociações sobre um acordo pode durar entre dois e três anos. ?Claro que não é uma decisão nem rápida nem simples porque, sendo um combustível, entraria na matriz de segurança nacional do Japão. O Japão já importa pequenos volumes de etanol brasileiro para outros fins, mas um programa desse nível seria extremamente ambicioso e interessante para ambas as partes?, comentou. O assunto foi discutido em uma série de audiências oficiais com diversas lideranças políticas e autoridades japonesas, entre elas, o ministro das Relação Exteriores, o ministro do Meio Ambiente e o vice-ministro de Energia. Na opinião de Nonô, foi possível fazer, ?de uma maneira muito positiva, um lobby institucional do etanol?. ?É uma conversa de imenso significado ambiental, mas é também uma excelente oportunidade de negócio para o Brasil e para o Nordeste em particular?, observou o deputado, revelando que já foi procurado, na última quinta-feira, pelo presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, no sentido de marcar um encontro para discutir o conteúdo das conversas com os japoneses. No caso do acordo ser firmado, devido ao volume do etanol a ser exportado, todos os Estados brasileiros que produzem o etanol seriam beneficiados, diferentemente da ?cota americana? de exportação de açúcar, que é voltada apenas para a Região Nordeste. José Thomaz Nonô vai agora fazer um relato ao governo federal brasileiro sobre o que foi conversado com os japoneses. O deputado pretende levar o interesse dos japoneses no etanol brasileiro ao conhecimento dos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e da Agricultura, Roberto Rodrigues. Além dos contatos dentro da esfera política, o deputado disse que vai tratar do assunto ?empresarialmente?. ?Hoje mesmo estive com pessoas ligadas ao Sindicato dos Produtores de Açúcar a Álcool de Alagoas, além dessa conversa com o Eduardo Carvalho, que representa os produtores do Centro-Sul, basicamente São Paulo?, informou Nonô. |PV