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Produ��o artesanal recebe impulso com Associa��o

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| FERNANDO VINÍCIUS Repórter Sucursal Costa Dourada - Artesãos e artesãs do segundo pólo turístico de Alagoas deram mais um passo rumo à conquista de melhores condições de produção e comercialização do artesanato feito no litoral norte. Filiados à recém-formada Associação dos Artesãos Costa dos Corais de Maragogi, 64 pessoas fizeram o cadastro para receber a carteira que possibilitará a venda de artesanato nas feiras e exposições em qualquer parte do Brasil e do exterior. Outra vantagem proporcionada pelo documento é a isenção do ICMS para negócios que totalizem até R$ 4 mil por mês. Promovido pela Incubadora de Empresas de Maragogi (Iemar), o encontro entre a coordenação do Programa Estadual do Artesão Empreendedor (Prearte), lançado pela Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Serviços (SEICS), aconteceu terça-feira, 24, no Mãos à Arte Brasil, ponto de venda de artesanato aberto há cerca de 15 dias. ?Todas as peças expostas são de artistas locais?, informa Valéria Cavalcante, sócia do empreendimento, frisando a alta qualidade dos trabalhos como critério principal de seleção. Quando o interessado não atinge o padrão exigido, orientações técnicas e sugestões de novos designs são oferecidas por meio de oficinas que acontecem num ateliê que funciona no próprio local. A dona de casa Janaína de Lima Santos não conseguia vender o que produz há 5 anos porque ?as outras lojas da cidade não dão valor ao que é feito aqui?. Junto com o marido Edílson José dos Santos, funcionário da Ceal, o casal produz trabalhos diversos, dos tradicionais crochês e fuxicos às inovações proporcionadas pelo reaproveitamento de matérias-primas como fibra de bananeira, escamas de peixe, cascalhos de concha e algas marinhas, todas fartamente disponíveis no município. Além de quilômetros de praia, Maragogi tem um imenso território rural, com 17 assentamentos implantados - o maior número em Alagoas -, sendo um dos maiores produtores de banana do Estado. ### Originalidade atrai consumidores Enquanto amarrava cuidadosamente bonecos de biscuit - chamados de Gigis - em uma rede decorada com pequenos quadros de outro artista local, a artesã Janaína Santos comentou que todos os arranjos feitos pelo casal com escamas de peixe colocados à venda na loja já tinham sido comprados. Ela estima conseguir pelo menos R$ 300 por mês comercializando artesanato. ?Se as vendas continuarem do jeito que estão, dá para tirar até mais?, contabilizou. Expondo seus trabalhos na feira que funciona à noite na orla da cidade, Célia Vieira também aposta no uso de escamas e algas. Junto com Rosimeire Rodrigues, as duas compõem o vestuário de bonecas de porcelana e biscuit, além de enfeitar bolsas, chapéus, roupas e sandálias. Quadros e espelhos estilizados também fazem parte do trabalho da dupla. Professora por formação, Célia tem experiência em administração pública, sendo atual secretária municipal de Planejamento. A partir desta segunda-feira ela ocupará o cargo de presidente da Associação dos Artesãos Costa dos Corais de Maragogi, assim que a primeira diretoria da entidade for homologada junto com o estatuto. Todo o processo de organização da Associação Costa dos Corais foi orientado por profissionais contratados pela Iemar e, segundo o presidente Pedro Jeová, será uma das ?empresas incubadas nessa nova fase da entidade?. O diagnóstico feito em Maragogi identificou 22 tipos de trabalhos artesanais, número que engloba 65 variedades de todos os ramos. A diversidade inclui trabalhos culinários, como os famosos bolinhos de goma e compotas de doces produzidos nos assentamentos; técnicas tradicionais de pinturas em telas e tecidos, bordados diversos e cerâmicas; até as inovações desenvolvidas a partir de novas matérias-primas e do reaproveitamento de embalagens do tipo PET. ### Benefício chega a produtores de banana O levantamento promovido pela Iemar mereceu elogios da coordenadora do Prearte, Joceli Fernandes, presente ao cadastramento dos artesãos feito na cidade. Conhecedora do artesanato produzido em Alagoas, ela destacou a originalidade de alguns trabalhos e o emprego de materiais que não viu ser utilizados em outras regiões do Estado. Entre as peças que chamaram a atenção da coordenadora formada em Administração de Empresas, jogos americanos, caminhos e passadeiras de mesa confeccionados com a fibra da bananeira. Joceli estará novamente em Maragogi nesta segunda-feira para entrega das carteiras dos artesãos que fizeram o cadastro esta semana. Os caminhos abertos a partir da criação da associação começam a beneficiar outras categorias. Com o aumento da procura pela fibra da bananeira, os produtores da fruta estão sendo orientados a investir no processamento da matéria-prima com o objetivo de comercializar pronta para o uso dos artesãos. A formalização da entidade trouxe novo ânimo para artesãs que moram na zona rural de Maragogi. Eliana Alcântara é uma delas, que tem dificuldade para comprar material e comercializar produtos. Depois de se cadastrar com mais sete amigas que fazem bordados e pinturas em tecidos, Eliana tem ?fé em Deus? que a Associação ajudará a superar obstáculos.

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