Economia
Greenspan sai do Fed ap�s 18 anos
| Vinícius Albuquerque Folhapress São Paulo - Alan Greenspan, 79, deixou ontem o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, instituição que comandou por 18 anos e meio. No dia 3 de agosto de 1987, Greenspan foi confirmado para o cargo pelo Senado americano. No dia 19 de outubro do mesmo ano, foi confrontado com uma queda de 22,6% no mercado de ações. Para efeito de comparação, a queda no dia 29 de outubro de 1929, quando os EUA entraram no período da Grande Depressão, que se estendeu pelos anos 30, foi de 11,7%. Economistas e governos prendem a respiração, com a expectativa da troca, devido à incerteza sobre a atuação do presidente do banco para manter a estabilidade financeira norte-americana. Quando Paul Volcker (antecessor de Greenspan) foi alçado ao cargo em 1979, esperava-se dele que desse solução ao problema da inflação nos EUA. A taxa de juros do Fed no país com Volcker chegou a 19%. O remédio foi amargo, mas funcionou. Crédito Greenspan recebe o crédito por ter mantido sob controle a política monetária americana (o que significa manter a estabilidade financeira e de preços) por meio das crises econômicas de 1987; nos anos 90, no México e na Ásia; em 2000, com o estouro da bolha da nova economia; e da recessão em 2001, na esteira dos ataques de 11 de Setembro. As críticas, por sua vez, incidem sobre sua forma de combater as bolhas da economia: deixá-las estourarem para só então agir, desapertando a política monetária por meio de baixas de juros, para irrigar a economia e tentar evitar que a economia entre em recessão. Ele já havia estado no governo dos EUA - fora chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca durante o governo do presidente Gerald Ford (1974-1977), mesmo cargo ocupado por Ben Bernanke (que irá substituí-lo). Moderado O presidente do Fed também deverá ser lembrado por sua forma ?oracular? de se pronunciar, seja nos comunicados de Fed após as reuniões de juros, seja em seus pronunciamentos diante do Congresso. A palavra ?moderado? passou a incorporar o vocabulário dos economistas, que poderia ser entendida como um stand by: alguns interpretavam como um sinal de que o ciclo de altas da taxa de juros viesse a ser interrompido; outros, que sinalizaria uma nova alta na reunião seguinte.