Economia
Cota americana deve ser ampliada
| PETRÔNIO VIANA Repórter O aumento da participação das usinas alagoanas na ?cota americana? de exportação de açúcar para os Estados Unidos (EUA) vai representar um incremento de cerca de U$S 2 milhões na receita do setor sucroalcooleiro do Estado em 2006. Essa é a avaliação do empresário José Carlos Maranhão, proprietário do Grupo Santo Antônio, que compreende as usinas Santo Antônio e Camaragibe. De acordo com Maranhão, a safra de cana-de-açúcar dos EUA sofreu uma redução provocada pelo furacão Katrina que, no ano passado, arrasou o Estado da Louisiana, principal produtor do país. Para o empresário, a decisão do Ministério da Agricultura em aumentar a participação alagoana na cota americana não foi surpresa. ?Esse aumento já era de conhecimento do mercado. A cota não é muito grande, mas o aumento corresponde à produção alagoana, que é a maior do Nordeste?, comentou Maranhão. O diretor comercial da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAA), José Ribeiro Toledo Filho, considera que o critério técnico aplicado pelo Ministério da Agricultura, de participação proporcional à produção, sem a influência política, beneficiou o Estado de Alagoas. Ribeiro comentou a disputa judicial entre Alagoas e Pernambuco pelo aumento na participação. ?Pernambuco queria um aumento de 42% para 55%, tirando de Alagoas, Sergipe, Paraíba, enfim, de todos os estados produtores, com argumentos sem lógica econômica para mudar as regras do jogo, fazendo pressão política?, lembrou. Segundo Ribeiro, devido aos fatores climáticos, a cota americana deve ser aumentada dentro de 30 ou 40 dias, aumentando também o volume das exportações alagoanas para o país. O Ministério da Agricultura calcula que, com o aumento já confirmado, o Estado deverá exportar cerca de 21,8 mil toneladas curtas de açúcar para os EUA em 2006. Uma tonelada curta equivale a 1,1023 toneladas métricas, medida utilizada no Brasil. Com um segundo aumento, o volume de exportações pode alcançar, segundo Ribeiro, a casa das 80 mil toneladas. Um terceiro aumento pode acontecer ainda este ano, por volta do mês de setembro, o que alavancaria as exportações alagoanas em mais de 20 mil toneladas, ultrapassando a marca das 100 mil toneladas. ?No ano passado, o Estado exportou para os EUA cerca de 70 mil toneladas. Se os outros aumentos se confirmarem, poderemos chegar a mais de 100 mil toneladas neste ano?, projeta o empresário. De acordo com Ribeiro, a produção e o total do açúcar a ser exportado pelas usinas alagoanas não sofrerão aumento, mas o incremento financeiro está garantido. ?A produção não vai aumentar. Vamos aumentar as exportações para os EUA tirando do que seria exportado para outros países, como a Rússia, o Iraque, o Iran e o Egito. O ganho financeiro é certo porque o preço é diferenciado?, explicou. Segundo informações passadas, no mês de janeiro, pelo presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, a tonelada do produto custa, no mercado mundial, cerca de U$S 280, enquanto nos Estados Unidos o preço chega a U$S 480. De acordo com dados do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), em 2005, os produtos derivados da cana-de-açúcar representaram 88,67% da pauta exportadora alagoana.