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Argentina tem venda recorde de carros

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| FABIANA FUTEMA Folha Online Enquanto negocia um acordo automotivo com o Brasil, a Argentina dá sinais de que sua indústria automotiva conseguiu sair da crise e vive um dos melhores períodos da história. Em janeiro, a venda de carros novos na Argentina cresceu 23,2% em relação a igual período de 2005, segundo a Adefa (associação das montadoras argentinas). Foi o melhor janeiro dos últimos 15 anos. No mês passado, a Adefa registrou a venda de 39.270 veículos zero quilômetro da concessionária para o consumidor final. A produção, entretanto, caiu 42% frente a janeiro de 2005, com 12.343 unidades. Esse dado não preocupa os analistas do setor, pois janeiro foi um mês em que a indústria automotiva deu férias para os funcionários. Para os analistas do setor, o resultado de janeiro mostra que a indústria automotiva do país conseguirá retornar ao patamar recorde de 1998, quando foram vendidas 500 mil unidades para o mercado interno da Argentina. Livre comércio O acordo de livre comércio entre os dois países deveria entrar em vigor neste ano. Mas a Argentina quer alterar o acordo, pois teme que a indústria local seja prejudicada pela livre entrada de veículos brasileiros. O país vizinho alega que existem assimetrias entre os dois mercados e que o ainda se recupera da crise econômica de 2001. Enquanto não se fecha um novo acordo automotivo, os dois países estenderam a vigência das regras anteriores. Hoje, para cada US$ 1 importado do setor automotivo, cada um dos dois países pode exportar US$ 2,6 com alíquota zero. Os dois países esperam negociar um acordo definitivo para valer a partir de 30 de junho deste ano. Entre as reivindicações da indústria brasileira está a fixação de uma data para o início do livre comércio entre os dois países. Polêmica do mercosul O Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC), que regulamenta o uso de salvaguardas no comércio entre o Brasil e a Argentina, prevê a reconversão das indústrias que precisarem utilizar a proteção, como queria o governo brasileiro, mas dá margem para que outros países tenham mais vantagem no mercado argentino do que o Brasil, como temia o Ministério do Desenvolvimento. Segundo o embaixador Ruy Pereira, chefe de gabinete da Secretaria Geral do Itamaraty, quando o MAC for acionado o país importador terá 30 dias para apresentar um Programa de Adaptação Competitiva (PAC). Essa era a principal reivindicação do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Na avaliação do ministro, sem que a Argentina apresentasse um plano viável para modernizar sua indústria, as salvaguardas se tornariam um sacrifício em vão por parte dos exportadores brasileiros.

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