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Acordo n�o segura o pre�o do �lcool

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CLAUDIO DE SOUSA JULIANA RANGEL O Globo O acordo firmado entre governo e produtores no dia 11 de janeiro para segurar o impacto do aumento do preço do álcool sobre a gasolina não apenas se mostrou ineficaz como também pressionou o preço do derivado da cana-de-açúcar vendido diretamente nas bombas. Ontem, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, fez um apelo aos usineiros para que cumpram o acordo que fixou, em R$ 1,05, o preço do álcool nas usinas durante o período de entressafra. Levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade São Paulo (USP), mostra que, no Estado de São Paulo, que tem 60% da produção nacional, a média de preços do álcool anidro (misturado à gasolina na proporção de 25%) subiu para R$ 1,073 por litro na semana passada. O valor supera em 1,9% o preço estipulado. O impacto na gasolina foi imediato: de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor do combustível subiu 0,19% no período, de R$ 2,501, entre 5 e 11 de fevereiro, para R$ 2,506. Além disso, para compensar o congelamento, os usineiros teriam elevado o valor do álcool hidratado em 3,5% desde o acordo, o que representou aumento de 6,72% nas bombas desde então, conforme mostra a ANP. O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Gil Siufo, confirma a distorção do mercado, assim como os aumentos semanais do álcool hidratado. Para ele, o governo foi incompetente ao congelar os preços. ?Apesar de o álcool ser um produto agrícola, ele hoje faz parte da matriz energética do País e continua controlado pelo Ministério da Agricultura que não entende nada de combustíveis. O governo fica fazendo lobby para defender os produtores enquanto na verdade deveria defender o consumidor?, criticou. Diante da pesquisa do Cepea, a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo, que reúne alguns dos maiores produtores do País, divulgou nota dizendo que ?o esforço dos produtores chegou ao seu limite?. No mercado, circulam rumores de que a entidade já pediu ao governo uma nova reunião para fixar um valor mais alto para o álcool, o que não é confirmado oficialmente. O Nordeste, que tem 15% da produção nacional, não participou do acordo já que no estado os preços são maiores em função de dificuldades de logística. O presidente do Sindicato das Indústrias do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, defende que o governo incentive a formação de estoques ou então que a ANP defina critérios para a atividade de distribuição. E diz ser contra o pleito dos usineiros de elevar os preços do congelamento.

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