Economia
Usineiros quebram acordo com governo
| Folhapress São Paulo Um dia após ser chamado a Brasília para dar explicações sobre os preços do álcool, o setor sucroalcooleiro avisa que o acordo com o governo está desfeito. Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), diz que não foi possível a manutenção dos preços acertados. Segundo ele, ?as condições atuais de mercado não permitem mais os preços estabelecidos?. Apesar do rompimento, Carvalho diz que não há atritos entre governo e usineiros. À medida que o governo determina novas medidas, elas são sempre motivos de conversas, disse. O setor sabe, no entanto, que essas discussões são sempre desgastantes. ?Ninguém sai disso ileso. Vamos consertar depois?, avalia Carvalho. Analisando as medidas tomadas pelo governo e as que devem ser adotadas, Carvalho diz que a mais prejudicial, se vier a ser adotada, é a taxação das exportações. No caso da redução da mistura de 25% de álcool à gasolina para 20%, já adotada, a medida tem lógica, na avaliação da Unica. Os efeitos, porém, só vêm a longo prazo, porque o consumo é reduzido em 1,2 bilhão de litros ao ano. Os produtores temem, porém, que a vigência da medida durante a safra derrube os preços. Com relação à tarifa de importação, que é de 20%, Carvalho diz que a retirada é uma boa solução porque o produto nacional tem competitividade e não precisa da taxa. Postos Representantes dos postos de combustível apóiam a redução do percentual de álcool anidro na gasolina de 25% para 20%. Segundo o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Gil Siuffo, a redução é a melhor solução para evitar o desabastecimento de álcool e controlar o preço. Para a Fecombustíveis, a alta do preço do álcool se deve à entressafra, ao aumento da demanda com a entrada dos carros bicombustíveis e à intensificação da fiscalização pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). ?Se o governo quiser realmente resolver o problema, o simples ato de reduzir a mistura de 25% para 20% equilibrará a demanda e os preços do álcool começarão a cair no mercado. Caso contrário, vamos continuar com os preços pressionados e, como sempre, atribuindo a culpa aos postos - o último elo da cadeia entre o produtor e o consumidor?. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro-SP), é o proprietário de carro a gasolina que vai pagar a conta do acordo inócuo entre o governo e os usineiros. ?Você coloca um produto que é mais caro na cesta, com certeza o preço vai subir?, afirmou o presidente do Sincopetro-SP, José Alberto Paiva Gouveia.