Economia
Economia brasileira cresce 2,3% em 2005
Pedro Soares Luciana Brafman Marcelo Billi Folhapress A economia brasileira cresceu 2,3% no ano passado, menos da metade dos 4,9% de 2004. As famílias - com um pouco mais de renda em razão da melhora no mercado de trabalho - mantiveram o crescimento do consumo, principal combustível do Produto Interno Bruto (PIB) em 2005. O PIB per capita, que crescera 2,3% em 2004, subiu apenas 0,8% no ano passado. Uma das principais bandeiras eleitorais da eleição presidencial deste ano, a taxa de crescimento econômico da última década mostra que petistas e tucanos fracassaram na busca do desenvolvimento sustentado e forte. Nos três primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a taxa média de crescimento ficou em 2,6%. No início do primeiro mandato do governo de Fernando Henrique Cardoso, a taxa média entre os anos de 1995 e 1997 foi de 3,4%. Mas, na média dos oito anos de mandato de FHC, o Brasil cresceu 2,3% ao ano. Nem Lula nem FHC conseguiram quebrar a tendência de baixo crescimento brasileiro inaugurada nos anos 80. Nos últimos dez anos, a taxa média de crescimento foi de 2,2% - período que inclui as duas administrações. A taxa é a mesma para os últimos cinco anos. No ano passado, juros mais altos e a crise política seguraram os investimentos e contiveram o crescimento da indústria, que também sofreu com a concorrência de importados mais baratos. CRESCEU POUCO O Brasil cresceu pouco, a despeito da relativa prosperidade mundial. A Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) estima que os países da região cresceram 4,3% no ano passado, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta crescimento médio de 6,4% para os países emergentes. Para o economista João Sicsú, do Instituto de Economia da UFRJ, o ?pífio? crescimento de 2005 já era esperado graças à política econômica do governo Lula, que ?impede que o Brasil surfe na onda de crescimento mundial.? Ao comparar o desempenho dos governos Lula e FHC, o economista disse que a média de crescimento foi a mesma, com a diferença que o tucano enfrentou seis períodos ou de crises internacionais ou de turbulências no câmbio, o que não ocorreu ainda no governo petista. ?O que restringe o crescimento econômico é o próprio governo com a sua política monetária restritiva, num cenário de calmaria internacional.? Na avaliação do economista, a política econômica de Lula é ainda mais restritiva do que a praticada por FHC, que teve de buscar proteção nos juros altos contra as crises externas. Na administração Lula, os juros subiram para combater a inflação. A taxa básica de juros (Selic) saltou de 16,3% em média no ano retrasado para 19,1% em 2005. MAIS CONSUMO Apesar da alta do custo do dinheiro, as famílias brasileiras consumiram mais: tiveram ganhos reais de renda e o emprego subiu, o que aumentou a massa de salários em 6,8%. O crédito consignado, que reduziu as taxas de juros de parte dos empréstimos, ajudou no crescimento do crédito, que aumentou 38,5% em termos nominais, em ano que a inflação ficou em 5,7%. Com mais renda e crédito, as famílias puderam manter a alta do consumo, movimento que se repete há nove trimestres consecutivos. No ano passado, o consumo, que responde por 55% do PIB, cresceu 3,1%. Já os investimentos não mantiveram o ritmo de 2004, crescendo apenas 1,6% no ano passado. A indústria cresceu 2,5%, contra 6,2% de 2004. A indústria de transformação, com maior peso no setor, foi a que cresceu menos, registrando modesto 1,3%. ### Tucano critica desempenho e diz que esperava PIB menor O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que esperava um crescimento ainda menor do que o divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O senador acreditava que o índice ficaria em 2,2%. Independente do resultado, ele acredita que não há motivos para comemorar o resultado que para ele mostra que o País não está crescendo suficiente em relação ao resto do mundo. ?Se o mundo cresce muitão e o Brasil um pouquinho, é porque não tem governo que saiba atrair investimentos, é porque não tem governo que saiba coordenar ações administrativas?, considerou. A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) disse que a campanha eleitoral pode influenciar de forma positiva o crescimento do Produto Interno Bruto de 2006. Segundo ela, essa aceleração seria resultado da ampliação dos investimentos em projetos sociais e de infra-estrutura. ?O governo pode usar os cofres públicos para a campanha o que talvez se reverta em novos investimentos que repercutam no PIB de 2006?, disse a senadora. Heloísa Helena disse que não se surpreendeu com o péssimo resultado do PIB de 2006. ?Infelizmente o desempenho retrata a irresponsabilidade fiscal, social e administrativa deste governo?. Já o governo reagiu ao baixo crescimento da economia no ano passado com a promessa de ?bombar? em 2006. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e argumentou que essa era uma ?má notícia do passado?. ?Em 2006, vamos bombar. Temos tudo para isso?, garantiu ao presidente, segundo seu relato. ### Setor agropecuário registra crescimento de apenas 0,8% | Folhapress Rio de Janeiro Afetado pelas quebras de safra de diversos produtos representativos para o PIB do País e pela ocorrência da febre aftosa, o setor agropecuário cresceu 0,8% em 2005, a menor taxa desde 1997 (-0,8%), de acordo com o IBGE. Em 2004, o setor apresentou crescimento de 5,3%. Segundo a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o setor foi um dos que impediu um crescimento mais significativo do PIB. Em comparação a 2004, houve queda de produção nas culturas de algodão (-26,7%), milho (-16,5%), café (-13,1%), fumo (-2,8%), laranja (-2,3%) e arroz (-0,3%). Mesmo as produções que cresceram no ano tiveram seus desempenhos abaixo do esperado. Foi o caso da soja, que registrou taxa de 3,3%. Mandioca (11%) e cana de açúcar (1,3%) também tiveram variações positivas. Febre aftosa Já a influência da febre aftosa se deu no último trimestre do ano e atingiu sobretudo o Estado do Mato Grosso do Sul, grande produtor de carne bovina. No trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, a agropecuária apresentou variação negativa de 1,8%. Para o chefe do Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Getúlio Pernambuco, os números do IBGE não traduzem a realidade, que se mostrou pior para o produtor, pois a metodologia da instituição é baseada na quantidade produzida e não na renda. Segundo a CNA, houve queda de 10% na renda do produtor rural, o equivalente a R$ 17 bilhões. Entre os fatores para o desempenho ruim, a CNA destacou a estiagem prolongada na região Sul, a redução dos preços recebidos pelo produtores e a valorização do real diante do dólar.