Economia
Lot�rica teme colapso em todo o Pa�s
| Janaína Leite Folhapress São Paulo - Donos de casas lotéricas de todo o Brasil estão preocupados com a hipótese de problemas, nos próximos dois meses, no pagamento de benefícios assistenciais do governo e com o envio das apostas à Caixa Econômica Federal (CEF). Eles temem ser insuficiente o prazo final estipulado pela Caixa, 15 de maio, para substituir o atual sistema tecnológico das lotéricas. ?Tenho 30 anos de Caixa, me aposentei como superintendente de loterias. Isso me dá autoridade para dizer que haverá falhas sérias na transmissão dos dados?, afirma o presidente da Federação Brasileira de Empresas Lotéricas (Febralot), Paulo Michelon. ?O prazo teria de ser estendido, no mínimo até o final do ano?. A Caixa refuta tal possibilidade. Diz que o cronograma está sendo executado e que, até a data limite, acontecerá a troca completa das máquinas - sem maiores transtornos. Michelon contesta essa versão. Segundo ele, dificilmente mais que 50% do sistema terá migrado até 15 de maio. ?Dos 25 mil terminais a serem implementados, não há mais que 1,2 mil colocados. Só no Rio Grande do Sul, por exemplo, existem 1.800 máquinas antigas. Até agora foram substituídas 50 dessas máquinas?, diz. O presidente da Febralot não arrisca dizer quanto os lotéricos perderão se a comunicação tecnológica com a Caixa ficar truncada. Adiantou, todavia, que haverá demissões para cobrir prejuízos. ?As loterias empregam, em média, quatro funcionários. Caso minha previsão seja confirmada, é provável que o número seja reduzido à metade e 20, 25 mil pessoas percam seus empregos?, pondera Michelon. Ele prevê ainda a superlotação das agências da Caixa e, no caso de cidades distantes, onde não há agência bancária, o aumento da dificuldade enfrentada pelos cidadãos que recebem benefícios assistenciais na hora de receber o que lhes é de direito. ?É gente que terá de andar quilômetros de barco ou a pé?, observa. Existem, atualmente, 8.887 empresas lotéricas funcionando em território nacional. Juntas, arrecadaram R$ 4,25 bilhões em 2005. O dinheiro, além de pagar as apostas, engorda programas sociais coordenados por várias áreas do governo. No ano passado, 49% dos recursos obtidos com apostas, equivalentes a R$ 2,09 bilhões, foram repassados a esses programas.