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Economia

Distribui��o de eletricidade � malfeita

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| JANAINA LAGE Folha Online Rio de Janeiro - Cerca de um terço da população mundial, o equivalente a dois bilhões de pessoas, não tem acesso à energia elétrica. Metade deste total está localizada no continente africano. O dado faz parte de estudo apresentado na última sexta-feira no Rio pelo Conselho Mundial de Energia. Segundo a diretora do Conselho Mundial de Energia, Elena Nekhaeze, a distribuição do uso da energia no mundo é muito desigual e concentrado na América do Norte. Os norte-americanos consomem de 15 a 20 vezes mais do que os chineses ou indianos. Neste caso, ela afirma que os preços deveriam aumentar para desestimular o desperdício de energia. Na avaliação da diretora, a solução para uma oferta mais igualitária de energia depende do acordo entre governos e indústria. O preço da energia deveria ser definido pelo mercado e pela competição a fim de que as companhias conseguissem cobrir custos, ter lucros e financiar a expansão do setor. Nekhaeze citou o exemplo do apagão de 2001 no Brasil. Segundo ela, o consumo brasileiro caiu 20% mas o potencial da região permite uma redução na faixa de 50%. Uma pesquisa desenvolvida pelo conselho nas cidades do Rio de Janeiro, Buenos Aires e Caracas mostrou que o problema para as pessoas de baixa renda não está na oferta de energia e sim na capacidade de pagar por ela. Os cariocas comprometem 15,57% de sua renda para cobrir os gastos com energia. Em Buenos Aires esse percentual é de 7,6%. Nos EUA, de 5,2%. Os impostos também são maiores no Brasil. Eles representam 45% do valor da conta. Na Argentina, o percentual é de 35%. De acordo com o estudo, no Rio de Janeiro os mais pobres consomem 103,19 KWh/ mês. Em Buenos Aires o total é de 97 KWh/mês e em Caracas, de 220,00 KWh/mês com energia subsidiada. ?A energia sozinha não resolve o problema da pobreza, mas melhora a exclusão social?, afirmou Norberto Medeiros, presidente do Comitê Brasileiro do Conselho Mundial de Energia. O estudo também mostrou que o denominador comum entre as três cidades é que os subsídios para a população carente são insuficientes. A ênfase deveria estar relacionada a políticas educacionais que aumentassem a independência econômica dos mais pobres por meio de treinamento e de melhores empregos, de acordo com a pesquisa.

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