Economia
Turismo movimenta quase R$ 2 bilh�es
Vitória Alcântara Editora de Economia Os números são inéditos e mostram como o turismo em Alagoas deu um salto em 2005. Foram 1.651.170 visitantes passeando por Maceió e municípios do interior, uma ocupação na rede hoteleira da capital de 70,4% e um impacto no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de R$ 1.947.055.632. Colocados lado a lado com os dados de 2004 e 2003, que tiveram respectivamente 1.427.883 e 1.518.927 visitantes e percentual de taxa de ocupação de 61,9% e 54,4% com rendas geradas de R$ 1.644.644.270 e R$ 999.493.852,36, os números coletados e tabulados pela Secretaria Executiva de Turismo (Setur) são de encher os olhos da cadeia produtiva, principalmente, porque nos últimos dez anos não se registravam porcentuais tão animadores. Veja tabela na A15 Mas o setor pode alçar vôos ainda mais ousados. E a taxa de ocupação hoteleira de Maceió no primeiro mês deste ano já comprovou isso. Janeiro de 2006 registrou um percentual de 90,7% de ocupação, contra 89,3% do mesmo período de 2005 e 87,2% de 2004. A Setur aponta a captação de investimentos para ampliar o número de leitos no Estado, que em 2005 contava com 26.383, como fundamental nesse processo. A previsão da Secretaria é que até o fim deste ano cerca de mil novos leitos estejam à espera de turistas nacionais e estrangeiros. ?Os índices podem ser ainda melhores com a oferta maior do número de leitos. Nós estamos tendo um crescimento equilibrado, com uma grande demanda que vem se consolidando ano após ano e que traz investidores para o Estado?, afirma o secretário de Turismo de Alagoas, Eugênio Sampaio. O secretário municipal de Turismo de Maceió, Carlos Gatto, enumera os novos empreendimentos do setor hoteleiro no Estado. ?Temos o Miramar, em Maragogi; três hotéis de capital italiano que serão instalados na praia da Sereia e Ipioca e o Brisa Tower, em Maceió. Além disso, o Hotel Estoril vai reabrir na Semana Santa?. De acordo com os dados da Setur, houve também um aumento do gasto médio individual diário dos turistas estrangeiros em 2005. Em compensação, foi registrado uma queda no gasto do visitante nacional. Em 2003, esses valores foram de US$ 22,03 e R$ 63,02, respectivamente; passando para US$ 31,57 e R$ 94,72 em 2004 e US$ 34,36 e R$ 80,74 no ano passado. Esses valores não incluem gasto com hospedagem. Além de gerar 11.178 empregos diretos e 50.972 indiretos, chegando a um total de 62.150 empregos somente na hotelaria, segundo dados da Setur de 2004, o segmento vem participando de forma crescente da participação do PIB estadual. Nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004, o impacto sobre o Produto Interno Bruto foi de respectivamente 5,08%, 5,93%, 5,43% e 7,57%. Para o secretário adjunto da Setur, Adilson Araújo, a tendência é de crescimento. ?Acreditamos que esse percentual deve ser ainda maior em 2005?, afirma. ### Maceió volta a ficar entre destinos mais procurados Dados divulgados pela operadora CVC e pelo Ministério do Turismo mostram que Alagoas e Maceió tiveram uma participação significativa no turismo doméstico do Brasil. Baseados nos números da CVC, o secretário adjunto de Turismo do Estado, Adilson Araújo, diz que em comparação com o ano de 2004, Alagoas cresceu 25,64% no ano passado como destino da operadora e Maceió, 33%. ?Em termos de crescimento, fomos o melhor destino da operadora em 2005?, salienta. No ranking elaborado pelo Ministério do Turismo, com base em pesquisa feita com 2.500 turistas e 400 jornalistas especializados no setor e divulgada entre setembro e outubro de 2005, Maceió aparece entre os cinco destinos mais procurados. ?Na Pesquisa de Destinos mais Procurados do Brasil, também chamada de Destinos mais Vendidos, quando a classificação é feita levando em conta as cidades do Nordeste, Maceió aparece em quarto lugar [Fortaleza-CE, Porto Seguro-BA, Natal-RN e Maceió. Quando passa para as cidades do Brasil, Maceió fica em quinto lugar [Fortaleza, Porto Seguro, Foz do Iguaçu (PR), Natal e Maceió]?, cita o secretário municipal de Turismo de Maceió, Carlos Gatto. O movimento registrado no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, segundo estatísticas da Infraero, também tem um acréscimo de 2004 para 2005. Em 2004, o aeroporto registrou 15.718 pousos, sendo 15.538 de vôos domésticos e 180 internacionais. Já no ano passado, foram 15.873, sendo 15.594 domésticos e 279 internacionais. O secretário Carlos Gatto explica que, além de uma média de 25 vôos regulares diários, o aeroporto Zumbi dos Palmares recebe aeronaves fretadas do Brasil e exterior. Segundo ele, os vôos internacionais são semanais e originários da Itália (dois), Portugal (um) e Argentina (dois). O que representa uma média de 200 passageiros por aeronave e aproximadamente mil novos visitantes chegando em Alagoas por semana. Também em 2005, o Estado recebeu pela primeira vez uma aeronave fretada vinda da Finlândia, país localizado no Norte da Europa. ?Os vôos da Itália e Portugal ocorrem durante o ano todo, com exceção do mês em que cada agência européia dá férias aos funcionários. Os fretamentos argentinos começam em dezembro e pelo menos um vai até o fim de março. Isso sem falar nos vôos diários fretados pela operadora CVC, que passam a ser quatro por semana após o carnaval?, diz o secretário. Apesar de 51,06% dos visitantes terem chegado ao Estado utilizado o avião como meio de transporte, 43,17% e 5,77% chegaram em Alagoas de ônibus/carro e outros meios, respectivamente. Maceió também recebe turistas que aportam na cidade na chamada Temporada dos Cruzeiros, que geralmente começa em outubro de cada ano e se estende até março do ano subseqüente. ?São 11 navios, mas isso na significa apenas 11 paradas, já que alguns fazem o passeio todas as semanas. O Pacífico, por exemplo, aporta em Maceió a cada 12 dias?, explica o secretário Carlos Gatto. VA ### Estado recebe mais paulistas e argentinos As estatísticas da Secretaria Executiva de Turismo (Setur) mostram que 93,10% dos visitantes que estiveram no Estado em 2005 eram brasileiros e 6,90% estrangeiros. Em Maceió, essas percentagens se traduzem da seguinte forma: no ano passado, 1.024.826 brasileiros estiveram na cidade, uma variação de 17,26% na comparação com 2004 que registrou a presença de 859.300 visitantes nacionais. O número de estrangeiros foi de 75.954. Neste item há uma variação para baixo de 18%, já que em 2004 os turistas estrangeiros na capital somaram 92.622. O maior mercado emissor de turista brasileiro para Alagoas foi o Estado de São Paulo com 160.145 visitantes, seguido de Pernambuco com 36.024 e Bahia com 26.132. No cenário internacional, quem mais visitou o Estado foi o argentino. Em 2005, 16.452 turistas argentinos estiveram em Alagoas. Em segundo lugar aparecem os portugueses com 11.877 e em terceiro o Chile com 5.185. O relatório da Pesquisa de Demanda Turística com a média das pesquisas realizadas pela Setur nos meses de janeiro (alta temporada), maio (baixa temporada) e novembro (média temporada) de 2005 mostra que 95,84% dos turistas brasileiros e 82,65% dos estrangeiros disseram que pretendem voltar ao Estado. Quando questionados se a localidade correspondeu às expectativas, 44,63% dos brasileiros e 44,59% dos estrangeiros disseram que superou a expectativa. E dentre os atrativos que mais motivaram a fazer a viagem para Alagoas, 99,66% dos turistas nacionais e 100% dos estrangeiros disseram que foi litoral/praia. A avaliação é animadora, mas os turistas também apontaram alguns aspectos que consideraram negativos. Como a sujeira na cidade, praias sujas, esgotos/buracos, falta de segurança e sinalização, grande número de meninos de rua e os preços dos serviços. |VA ### Segmento ainda tenta superar entraves Os dois órgãos oficiais ligados ao turismo em Alagoas - Secretaria Executiva do Turismo (Setur) e Secretaria de Promoção ao Turismo de Maceió ) reconhecem os entraves do setor e afirmam que as providências para sanar os problemas já estão sendo tomadas. O secretário-adjunto da Setur, Adilson Araújo, diz que a Secretaria está articulando o Fórum de Turismo do Estado para fortalecer as instituições ligadas ao setor, e promovendo a interiorização do turismo. ?Alagoas precisa de uma aparência estrutural mais compatível com suas belezas naturais. Cada município precisa estar melhor organizado com ambientes mais limpos, mais sinalizados, com qualificação para atender às necessidades do segmento. Os equipamentos turísticos ? bares, restaurantes, por exemplo ? precisam buscar constantemente estar no mesmo nível da concorrência nacional, que é fortíssima. É preciso ter consciência da importância do visitante para Alagoas e não explorá-lo cobrando mais por alguns serviços só porque ele é turista?, observa Araújo. O secretário-adjunto destaca pontos positivos para o Estado, como a reforma e ampliação do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares e a construção do Centro de Convenções, que, segundo ele, é muito importante para o setor, principalmente na baixa temporada, quando eventos atraem visitantes para Alagoas. Já a Prefeitura de Maceió, cidade que concentra o maior número de visitantes do Estado, está realizando, segundo o secretário municipal de turismo, Carlos Gatto, ações para acabar com a chamada língua de esgoto na Praia de Cruz de Almas. Será instalada uma tubulação de 1.560 metros para direcionar a água de esgoto que corre pelo Riacho de Águas Férreas para o Riacho do Sapo e deste para o emissário submarino. ?É uma solução provisória, mas estamos consultando a Procuradoria do Município para saber se há condições legais de fazermos uma parceria com o setor privado do bairro para realizar o saneamento básico de Cruz das Almas, já que a Casal não tem condições financeiras de fazê-lo?. Outro projeto é a ampliação da ciclovia da Jatiúca até Cruz das Almas, bairro que, segundo Gatto, estava abandonado. ?Os moradores e turistas que ficam em Cruz das Almas não têm como vir para Jatiúca e Ponta Verde, a ciclovia vai facilitar essa passagem. Além disso é necessário investir na região, que tem muito potencial turístico e hotéis nobres?, afirma. Para recepção e atendimento em geral do turista, tanto a Setur como a Seturma afirmam que cursos e capacitações são realizadas continuamente com os profissionais que trabalham no setor. ?Já fizemos treinamento de artesãos, jangadeiros. No próximo dia 13 estaremos iniciando um curso para os taxistas. Sem falar nas entidades do setor privado que também investem na qualificação de seus funcionários. Estamos trabalhando para que todos os restaurantes coloquem na porta os valores cobrados pelos pratos, para que o turista saiba que não estar pagando mais só porque é de fora?, afirma. Para o secretário municipal de Turismo de Maceió, o Estado necessita de um curso superior ou técnico de gastronomia. ?Nós temos uma carência muito grande desse profissional, que muitas vezes é treinado no próprio estabelecimento onde trabalha ou trazido de fora para trabalhar em hotéis e restaurantes alagoanos?, diz. VA