Economia
INSS de dom�stica ser� abatido do IR
| Sheila D'Amorim Folhapress Brasília - Como forma de estimular o registro em carteira de cerca de 1,8 milhão de trabalhadores domésticos que ganham mais do que um salário mínimo e estão na informalidade, o governo está garantindo aos empregadores a possibilidade de abater no IR a despesa com a contribuição patronal para a Previdência Social. Hoje, a medida deve ser publicada no Diário Oficial da União. A MP foi assinada ontem pelo presidente Lula. O desconto valerá para a declaração do IR de 2007, referente aos rendimentos deste ano. O abatimento será limitado a um trabalhador doméstico por empregador, que poderá descontar da base de cálculo do seu IR a contribuição mensal de 12% ao INSS sobre um salário mínimo. Na prática, o que o governo está propondo é que as pessoas que têm empregados domésticos trabalhando sem registro e, portanto, não pagam a contribuição previdenciária, passem a fazê-lo imediatamente e, no ano que vem, poderão deduzir parte do gasto na declaração anual de ajuste. No final das contas, o empregador terá despesa maior do que a dedução a que terá direito - gasto de R$ 528 por ano e ganho de R$ 145,20. Por isso, a medida foi classificada como um ?exercício de demagogia explícita? pelo ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel. Segundo ele, como o desconto será feito na base de cálculo do imposto, a despesa feita será diluída e o abatimento, no final, será de cerca de 3% do salário do trabalhador - inferior aos 12% que serão recolhidos à Previdência. O advogado Wladimir Novaes Martinez, especialista em legislação previdenciária, concorda com o abatimento a um salário mínimo, mas entende que o governo não deveria limitar o abatimento a apenas um empregado. ?Quem emprega mais de uma pessoa deve ter benefício maior, exatamente porque emprega mais.? Além disso, Martinez entende que o benefício deveria ser extensivo também a quem dá emprego a diaristas - pessoas que trabalham um ou dois dias por semana, sem registro. Os principais beneficiários da MP poderão ser as 553 mil pessoas que já assinam a carteira de seus empregados e fazem declaração anual do IR. Isso representa renúncia fiscal de cerca de R$ 289 milhões, segundo o secretário de Previdência, Helmut Schwarzer. O universo de trabalhadores domésticos com carteira assinada é maior, cerca de 1,67 milhão. No entanto, muitos são contratados por pessoas que são isentas de declarar o IR ou fazem o ajuste com base no modelo simplificado, utilizando o desconto-padrão de 20% - para essas pessoas o benefício no IR é zero. Dadas as limitações da medida e as restrições impostas pelo governo, os efeitos do abatimento tanto para quem já assina a carteira como para o mercado de trabalho doméstico são considerados duvidosos pelos especialistas, antes mesmo de a MP entrar em vigor.