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Economia

Embaixadas fazem importa��o ilegal

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| Andréa Michael Folhapress Brasília - A Polícia Federal prendeu ontem em Brasília seis integrantes de uma quadrilha especializada em fraudar os mecanismos de importação de mercadoria para fugir do pagamento de impostos. Eles são acusados de praticar os crimes de quadrilha, corrupção ativa e passiva, contrabando, além de sonegação fiscal, com pena média de dez anos de prisão. Há pelo menos 22 funcionários de embaixadas suspeitos de participar da fraude. Seus nomes e irregularidades que praticaram serão informados ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), pois eles gozam de imunidade diplomática e só respondem às leis de seus países de origem. As irregularidades foram detectadas pela Receita Federal há cerca de um ano, quando a inspetora Lúcia Leal descobriu que embaixadas pequenas estavam comprando quase dez vezes mais bebida que as grandes. A campeã de compras, conforme a investigação da Receita e da Polícia Federal, é a Embaixada de Angola, que comprou cerca de 9.000 litros de uísque nos dez últimos meses. Além de Angola, estão envolvidas nas fraudes as embaixadas do Congo, Gabão, Iraque, Senegal e Síria. Ontem em Brasília a PF prendeu, em uma operação chamada Safári, os contrabandistas Alzair de Aquino, Zuhair Murdash e Angela Bernardino; os comerciantes Manoel de Aguiar Costa e Jonas Garcez; e o servidor do Ministério das Relações Exteriores Hamilton dos Reis. Conforme o inquérito policial, os nomes de servidores e das próprias embaixadas como pessoa jurídica eram utilizados para comprar produtos importados pela empresa Brasif. Como fazem parte do corpo diplomático, esses estrangeiros podem adquirir a mercadoria sem pagar os impostos de importação, desde que a nota fiscal de compra seja validada pelo MRE. Segundo o delegado Paulo Moreira, que conduziu a investigação policial, funcionários das embaixadas faziam a compra e retiravam a mercadoria na Brasif. Em seguida, repassavam os produtos para os contrabandistas e comerciantes. Em entrevista à imprensa, Moreira disse ter gravações em vídeo que mostram o momento da entrega irregular, provando a fraude com a conivência de servidores da embaixada. Ainda conforme o delegado, no inquérito há provas de que o servidor Hamilton dos Reis recebia produtos importados como pagamento por carimbar a nota fiscal de compra, o que permitia evitavao pagamento de impostos.

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