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Economia

Setor tenta expandir cadeia produtiva

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| Vitória Alcântara Editora de Economia Sertanejo que se preza não abre mão de uma suculenta carne de carneiro ou bode. E durante anos foi transmitindo a várias gerações seu conhecimento empírico na criação desses animais. Mas o que por várias décadas foi uma atividade meramente de subsistência é tida hoje como um negócio rentável e economicamente viável. Em Alagoas, o desafio do setor de ovinocaprinocultura é inserir um número cada vez maior de criadores na cadeia produtiva. É possível ter uma idéia da dimensão do desafio comparando o número de ovinos e caprinos no Estado com outros rebanhos do Nordeste. Dados da pesquisa Produção da Pecuária Municipal 2004, volume 32, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os rebanhos de ovinos e caprinos no Estado são de respectivamente 191.895 e 61.900, números que deixam Alagoas no penúltimo lugar no Nordeste com relação ao efetivo de rebanho. Sergipe é, segundo a pesquisa, o Estado nordestino com o menor número de cabeças: são 139.064 de ovinos e 15.130 de caprinos. A Bahia aparece em primeiro lugar com 2.988.569 ovinos e 3.919.445 caprinos. Plano de incentivo O presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), Edilson Maia, cita outros fatores que dificultam a atividade no Estado. ?Em pelo menos 80% das propriedades alagoanas se cria esses animais, mas na maioria dos casos a produção é para suprir as necessidades nutricionais da família do criador e não para abastecer o mercado. Além da atividade ser tipicamente doméstica, outros gargalos que podemos citar são o baixo nível de conhecimento técnico sobre atividade e a dificuldade de adquirir matrizes padronizadas?, ressalta. Maia elaborou um modelo de plano de incentivo à atividade no Estado, onde destaca ser de fundamental importância para o desenvolvimento da ovinocaprinocultura em Alagoas o apoio do governo do Estado, prefeituras, bancos de desenvolvimento e de entidades de ensino e de classe. ?Também é necessário que o criador tenha incentivos fiscais. Quando o produtor mantém a atividade de forma doméstica, apenas para a subsistência, ele vive fora da legalidade fiscal. E não se pode puni-lo por isso?, afirma, destacando: ?O criador precisa ser inserido na cadeia produtiva para continuar a sustentar sua família, mas só que de uma forma mais compensatória?, defende o presidente da associação. ### Frigoríficos e matrizes para produtores O presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), Edilson Maia, afirma que a construção de frigoríficos e abatedouros pelo poder público e a oferta de um crédito presumido por cada animal abatido nestas unidades frigoríficas também alavancariam os negócios da cadeia produtiva no Estado. ?Todos sairiam ganhando. O produtor que receberia uma determinada quantia por abater o animal num lugar adequado, com certificação de inspeção estadual e federal e também o governo que só tem a ganhar ao oferecer à sociedade um produto de qualidade?, destaca o presidente da ACA. A dificuldade de adquirir matrizes padronizadas seria resolvida, de acordo com o modelo de plano de incentivo à produção de ovinos e caprinos no Estado, com o repasse de matrizes aos criadores, utilizando o sistema de comodato. ?O criador receberia matrizes por comodato do governo do Estado no ato do financiamento por no máximo quatro anos, a critério técnico. Depois esses animais seriam devolvidos ao Estado para que fossem repassados a outros criadores?, explica o presidente da Associação dos Criadores de Alagoas. |VA ### Consumo de carne aumentou no Estado Nos últimos cincos anos houve um incremento no consumo de carne de ovinos e caprinos em Alagoas. A afirmativa é do presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), Edilson Maia. ?Houve uma mudança no hábito alimentar dos alagoanos, que estão mais conscientes da qualidade desse tipo de carne. Acredito que o consumo da carne de ovino em Alagoas ultrapassou a média nacional por habitante que é 1,5 quilo ao ano. O que ainda é muito baixo. O consumo de carne bovina é de 37 quilos, o frango 22 quilos e o de suíno 14 quilos?, diz. O gerente do restaurante Famiglia Giuliano, Pedro Silva, confirma o aumento na procura por esta carne. Segundo ele, depois da picanha bovina, a carne que mais tem saída no restaurante é a de cordeiro. ?A procura é tão grande que não é preciso oferecer, porque o cliente pede logo?, afirma. O sabor suave e as características nutricionais das carnes caprina e ovina [baixo teor calórico e de gordura e elevado percentual de proteína, em comparação com outros tipos de carne] são os fatores que, para o gerente do restaurante Carne de Sol do Picuí da Avenida, mais contribuíram para o crescimento da procura pela carne. Wanderson Medeiros diz que o restaurante possui dois fornecedores. Um de Alagoas e outro do Uruguai. ?Importamos a picanha de cordeiro. Mas os outros cortes são comprados em Alagoas?, explica. Segundo Medeiros, a procura por esse tipo de carne cresceu nos últimos anos. ?Foi um crescimento considerável. Quando o cliente experimenta sempre volta para comer o mesmo prato?, diz. |VA ### APL incentiva produção de leite de cabra e derivados A ovinocaprinocultura vai além da produção da carne e atrai consumidores com leite e derivados. O leite de cabra, por exemplo, só perde em valores nutricionais para o leite humano e o de égua. Relatório do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), sobre o setor, realizado pelo veterinário Antônio Nogueira Filho e pelo engenheiro agrônomo José Walter Kasprzykowski, afirma que o leite de cabra possui uma ?alta digestibilidade? e é recomendado na ?alimentação de recém-nascidos, idosos e pessoas com saúde debilitada? e conclui: ?Consumido sob forma de queijos finos, iogurte, leite em pó e outras formas de derivados (sabonetes, xampus, hidratantes, etc), o leite de cabra apresenta um largo potencial de mercado?. De olho nesse filão apontado pelo estudo do BNB-Etene, o Arranjo Produtivo Local (APL) da ovinocaprinocultura vem incentivando a produção em 21 municípios do médio e alto sertão alagoano. Em dezembro de 2005 foi inaugurada no município de São José da Tapera, a 211 quilômetros de Maceió, uma usina de beneficiamento de leite de cabra que atualmente pausteriza e ensaca os 300 litros de leite produzido por 43 famílias do assentamento Selma Bandeira. ?As famílias também estão produzindo licor de leite de cabra que daqui a um mês deve estar no mercado, já que é necessário ficar 20 dias na infusão?, diz a coordenadora do APL no Sebrae, Vânia Brito. Uma nova usina está em fase de implantação na divisa de São José da Tapera com Pão de Açúcar. A expectativa, de acordo com a coordenadora do APL, é que ela entre em funcionamento em junho. ?Mas essa data pode ser antecipada se a produção de leite, que diminuiu por causa da seca, voltar a subir?, explica. A coordenadora explica que cada município ou região que engloba mais de uma cidade tem um foco de especialização. ?Delmiro Gouveia está focando na produção de carne e seus subprodutos. São José da Tapera, Pão de Açúcar e Santana do Ipanema devem produzir leite, queijos finos, licor e iogurte. Em Batalha, destaca-se o artesanato feito com couro e estamos incentivando a criação de novos produtos, como bijuterias. Em Ouro Branco e Maravilha, o foco está na produção de sabonete à base de leite?, afirma. Segundo a coordenadora do APL, as bijuterias e sabonetes registraram boas vendas na Feira Internacional de Artesanato do Nordeste (Artnor) realizada no início do ano em Maceió, pelo Sebrae. ?A venda de sabonete foi surpreendente. Foram produzidas 600 unidades para comercialização na Artnor, mas na metade da feira todas já haviam sido vendidas?, relata Vânia Brito. Produção mundial O estudo do BNB-Etene mostra que o Brasil ?ocupa o 11° lugar entre os produtores mundiais de leite de cabra, com uma produção de 141 milhões de litros, o que representa apenas 0,7% da produção total (95% consumido como leite fluido, 3% como leite em pó e 2% como queijos). A região Nordeste do Brasil participa com aproximadamente 26% da produção nacional. O Estado do Rio Grande do Norte destaca-se com produção de oito mil litros de leite por dia?. |VA

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