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Redu��o de chuva amea�a agricultura em Alagoas

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CARLOS ROBERTS Repórter O Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) prevê que neste ano haverá um período de chuva muito abaixo da média. Os plantadores de cana-de-açúcar já esperam uma diminuição na produção de açúcar e álcool. O meteorologista e professor da Ufal, Luiz Carlos Molion, explica que as medições apontam uma previsão com período de chuva muito abaixo da média este ano. Há cerca de sete meses não chove no interior de Alagoas. Segundo o meteorologista, há uma probabilidade de 85% de que a situação permaneça inalterada. E como não bastasse o castigo da falta de água sentido desde agora, há ainda a previsão de que neste período de inverno choverá menos do que nos anos anteriores. As previsões apontam também o agravante de que, além de uma quantidade menor de volume de água, os dias de chuva serão reduzidos, o que prejudica ainda mais a agricultura no Agreste e Sertão alagoanos. Ao contrário de outros anos, a chuva neste período de inverno deverá ocorrer somente após a metade do mês de maio e se estenderá até a metade de julho. Normalmente neste período ocorre um volume de 1.200 milímetros de água. Neste ano, são esperados pouco mais de 900 milímetros nos meses de maio a julho. Este volume é o equivalente a 65% da chuva em todo o litoral de Alagoas no período de um ano. E o equivalente a 75% do que chove em um ano no sertão e agreste. Com estes números, pode-se esperar uma redução na ordem de 20 a 30% no volume de chuvas. E, conseqüentemente, uma quebra na safra de qualquer agricultura. Seja ela de caráter industrial ou de subsistência. O meteorologista lembra que o pequeno agricultor, com plantações de subsistência, deve procurar culturas que exijam pouco volume de chuva. Ele sugere o milho com ciclo de 80 dias, que necessita de pouco mais de 500 milímetros de chuva. Ou ainda o sorgo que produz bem, com pouco mais de 350 milímetros de água no período de cultura. ?Teremos neste ano uma redução de até 400 milímetros de chuva. Isto é muito para uma região onde costumeiramente chove relativamente pouco. E o pior é que teremos menos dias de chuva?, diz o professor. ### Queda pode ultrapassar marca de 15% A Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas já contabiliza prejuízo na próxima safra. O engenheiro agrônomo Carlos Carnaúba diz que a falta de chuva sentida desde o mês de outubro até agora já compromete o plantio da cana, previsto para o mês de junho. Segundo ele, a estiagem de agora tem relação direta com o preparo do solo que receberá o plantio da próxima safra, desde agora seriamente comprometida. Carnaúba lembra que no ano passado também houve uma redução de chuva, o que resultou numa quebra de 15% na safra esperada pelos plantadores. Para ele, se não houver uma melhora no tempo e, conseqüentemente, voltar a chover, a quebra de safra esperada será muito maior, com conseqüências na economia. Irrigação Outra alternativa seria o sistema de irrigação por parte das usinas. ?Se não houver irrigação, haverá perdas sem dúvida nenhuma?, observa Carnaúba. Ele também cita a estiagem dos anos de 1992 e 1993, que trouxe grande prejuízo aos plantadores e gerou uma massa de desempregados no setor. Naqueles anos, as usinas não tinham o sistema de irrigação que dispõem hoje. ?Agora os plantadores estão mais preparados. E dificilmente teremos os efeitos daquela época. Mas infelizmente não temos boas expectativas, caso não volte a chover imediatamente?, diz. Cota americana Alagoas é um dos maiores produtores de açúcar e álcool do País e responsável por uma das maiores cotas de exportações para países como os Estados Unidos. A quebra na safra alagoana e a busca dos norte-americanos pela auto-suficiência de álcool no país pode ser mais um agravante no balanço econômico do setor. |CR

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