Economia
Testemunha confirma fraude na Daslu
| LUCIA BAKOS Folha Online Mariangela Tranchesi, ex-cunhada da dona da Daslu, Eliana Tranchesi, confirmou na sexta-feria passada à Justiça a existência de esquema de subfaturamento de mercadorias como forma de reduzir os impostos pagos pela butique. Ex-mulher de Antonio Carlos Piva de Albuquerque, irmão de Eliana, Mariangela foi a responsável pelo processo de informatização da loja de 1999 a 2000. Testemunha de acusação, ela disse em seu depoimento à 2ª Vara de Justiça Federal de Guarulhos que tinha conhecimento de que as notas fiscais da Daslu tinham preços bem mais elevados que as importadoras. O Ministério Público Federal de Guarulhos considerou, entretanto, que o depoimento não trouxe fatos novos para o caso, uma vez que os importadores e um ex-gerente da Daslu já haviam admitido o esquema. ?Ela [Mariangela] só confirmou o que já sabíamos, que as outras pessoas ouvidas já tinham falado?, disse o procurador Matheus Baraldi Magnani. Na quarta-feira, a chefe de importação da trading Kinsberg, uma das quatro importadoras que importavam mercadorias para a Daslu, acusadas de integrar um suposto esquema de sonegação fiscal, havia afirmado que subfaturava notas de produtos importados para a empresa em que trabalha e para a loja de luxo. Na terça-feira, uma ex-gerente de importação da Daslu afirmou que Eliana estava diretamente envolvida na prática de subfaturamento. Tranchesi nega as acusações. Em seu depoimento à Justiça, em dezembro do ano passado, ela afirmou que, caso tenham ocorrido irregularidades nas operações, foram sem seu conhecimento. O advogado da defesa de Eliana, Arnaldo Malheiros Filho, afirmou que o depoimento da ex-cunhada foi ?inócuo?. Em julho do ano passado, 250 policiais federais e 80 auditores da Receita Federal fizeram operação de busca e apreensão na Daslu e detiveram Tranchesi por 12 horas. Antonio Carlos Piva de Albuquerque permaneceu preso por cinco dias.