Economia
EUA criticam negocia��es da TV digital
| Patrícia Zimmermann Folhapress Brasília - Com o sistema norte-americano (ATSC) praticamente descartado pelo Brasil entre as opções para TV digital, o governo dos Estados Unidos decidiu entrar na disputa com críticas ao sistema europeu (DVB) e às negociações envolvendo a possível instalação de uma fábrica de semicondutores no Brasil. Por meio de uma videoconferência organizada pela Embaixada dos EUA no Brasil, o coordenador de Políticas de Comunicações Internacionais e Informação do Departamento de Estado, embaixador David Gross, disse na sexta-feira que ?as conversas entre os governos da União Européia e o governo Brasileiro a cerca do potencial de se estabelecer uma fábrica de semicondutores [chips] têm muitos furos, e não parecem ser passíveis de credibilidade ou substanciais?. Ao comentar as negociações do governo brasileiro, que foram intensificadas nos últimos dias com o envio de cartas e reuniões com representantes europeus principalmente, Gross afirmou que a decisão sobre a instalação de uma fábrica dessa ?envergadura? como é o setor de semicondutores é um assunto para o setor privado. ?A construção de unidades de ampla envergadura e porte como de semicondutores é um tipo de desdobramento que segue o mercado, não é algo decorrente apenas da idealização do governo?, disse. Apesar da manifestação oficial de sexta, o governo norte-americano não pretende fazer promessas ao Brasil sobre a produção de chips no Brasil, mas deverá marcar sua posição no processo. ?Encontramos tantos furos que são furos pelos quais se poderia passar um caminhão?, criticou Gross, referindo-se às correspondências dos europeus com promessas ao governo brasileiro. Ao apontar as vantagens do sistema ATSC sobre o DVB e ISDB, Gross afirmou que o Brasil deveria atentar para a escala de produção e potencial de exportação que seria aberto com a escolha de um mesmo padrão para as Américas. ?Acreditamos que em vez de se adotar um padrão estrangeiro, externo (tais como japonês e europeu), ao invés disso, nós estamos procurando estabelecer uma parceria de natureza dupla: técnica e econômica?, disse o embaixador. Promessa Os norte-americanos não se comprometem em produzir semicondutores no Brasil, como quer o governo brasileiro, mas ainda esperam que as propostas de investimentos de outras indústrias para produção de equipamentos de transmissão e televisores no país sejam analisadas como um ponto favorável ao sistema ATSC. Se por um lado os norte-americanos não pretendem entrar num leilão envolvendo a indústria de semicondutores, como fizeram os europeus e japoneses, eles argumentam que os custos dos equipamentos, principalmente aqueles que deverão ser adquiridos pela população, devem pesar na escolha brasileira. Isso porque uma diferença de US$ 50 a US$ 100 no preço do terminal ou do conversor para o usuário representaria um custo de US$ 3 bilhões a US$ 6 bilhões, num país com aproximadamente 60 milhões de televisores como é o Brasil.