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Nº 5728
Economia

Brasil e China iniciam alian�a bilateral

ESTADÃO ONLINE Com agências internacionais Pequim, China - Brasil e China inauguraram, na última sexta-feira, a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), criada em 2004, como um primeiro passo no processo de forta

Por | Edição do dia 26/03/2006 - Matéria atualizada em 26/03/2006 às 00h00

ESTADÃO ONLINE Com agências internacionais Pequim, China - Brasil e China inauguraram, na última sexta-feira, a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), criada em 2004, como um primeiro passo no processo de fortalecimento da aliança estratégica bilateral. O vice-presidente José Alencar e a vice-primeira-ministra chinesa, Wu Yi, presidiram a sessão inaugural realizada no Grande Palácio do Povo de Pequim, na presença de funcionários e representantes dos dois países. Esta comissão “é um novo passo na aliança estratégica entre os dois países e contribuirá positivamente para o fortalecimento e o aprofundamento da cooperação bilateral em todas as áreas”, diz a ata final da reunião, que durou três horas. Os dois governos se comprometeram a apoiar a criação de empresas mistas e promover intercâmbios entre associações empresariais. Também visam aumentar o comércio e o investimento, e a resolver de forma amistosa as tensões comerciais. O objetivo de elevar o comércio bilateral para US$ 20 bilhões em 2007 requer “esforços” de empresas de ambos os lados, segundo as conclusões da subcomissão econômica e comercial. “O Estado não faz negócios, mas pode ajudar a criar a base para que esses negócios sejam realizados sobre a base de interesses recíprocos”, declarou Alencar. O vice-presidente destacou, também, o bom desempenho da economia brasileira, por cumprir os requisitos do Fundo Monetário Internacional, e disse que a China e “qualquer país do mundo pode interessar-se agora pelos bônus do Estado” brasileiro. Alencar reconheceu, no entanto, que “eles (os países interessados) esperarão que as taxas (de juros) caiam no Brasil” já que, segundo ele, é difícil “investir no Brasil com taxas tão altas”. Ambas as partes concordaram em reforçar a colaboração nas áreas de agricultura, energia, mineração, tecnologia da informação, infra-estrutura e alta tecnologia, assim como nas negociações multilaterais na Organização Mundial do Comércio. Brasil e China propuseram a rápida conclusão dos projetos em curso, que incluem siderurgia, alumínio, gás natural, uma central termelétrica, contêineres, petróleo e aviação regional. Também querem programar para este ano atividades no âmbito do etanol (álcool). A China expressou também seu interesse em operações diretas no comércio de soja e outorgou ao Brasil permissão para exportar soja transgênica ao país durante cinco anos. No âmbito turístico, os dois países confirmaram o interesse no estabelecimento de vôos diretos para estimular o intercâmbio turístico e comercial. Ciência e tecnologia Na área de ciência e tecnologia, Brasil e China identificaram como prioritárias as áreas de biotecnologia, biodiversidade, biocombustíveis, combustíveis sólidos fósseis, laboratórios e políticas de inovação. O programa espacial já existente - que já contou com o lançamento de dois satélites sino-brasileiros de recursos terrestres (CBERS) em 1999 e 2003 - é um claro símbolo da colaboração Sul-Sul, que ambos os países concordaram em potencializar. No âmbito agrícola, Alencar propôs a realização de um seminário sobre oportunidades de investimento neste setor no Brasil. Ambos os países também concordaram em intensificar o intercâmbio de recursos genéticos e a cooperação em tecnologia agro-biológica, segurança de animais e plantas transgênicas. ### Cosban terá quatro novas subcomissões até 2008 Durante o início dos trabalhos da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), Brasília e Pequim também reforçarão a colaboração com um novo programa para 2006-2008, que será marcado pela criação de quatro novas subcomissões na Cosban: de assuntos sanitários, fitossanitários e quarentena; de energia e mineração; de indústria informática; e de educação. Os planos para os próximos anos contrastam com os poucos avanços registrados após o estabelecimento da aliança estratégica bilateral em 2004, já que não se concretizaram os investimentos previstos nos setores ferroviário e de infra-estrutura, assim como no comércio bovino e aviário. “Já estamos assistindo a vários casos de associações concretas que se transformam em empresas mistas e muitas outras vão surgir”, afirmou o vice-preseidente brasileiro, José Alencar. “Isso é um processo”, concluiu, poucas horas antes de finalizar, nesta sexta, sua visita à China.

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