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Nº 5736
Economia

Bancos investem em cr�dito imobili�rio

| VITÓRIA ALCÂNTARA Editora de Economia De um lado o governo federal quer o aumento de moradias no Brasil. Do outro, bancos privados e públicos estão de olho em um novo filão de clientes e investem no crédito imobiliário, tentando cumprir as metas fix

Por | Edição do dia 26/03/2006 - Matéria atualizada em 26/03/2006 às 00h00

| VITÓRIA ALCÂNTARA Editora de Economia De um lado o governo federal quer o aumento de moradias no Brasil. Do outro, bancos privados e públicos estão de olho em um novo filão de clientes e investem no crédito imobiliário, tentando cumprir as metas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) que em 2005 passou a incentivar o financiamento de imóveis. No meio desses interesses que caminham para convergência está uma parcela da população brasileira que pode se beneficiar das resoluções do governo e do realinhamento das instituições financeiras: a classe média. Nos dois primeiros meses deste ano, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o total de crédito contratado para a compra de imóveis chegou a R$ 948,6 milhões, o que representa alta de 84% sobre o mesmo período de 2005. Considerando os últimos 12 meses, o volume de operações já supera R$ 5,2 bilhões e mantém a tendência de crescimento registrada desde 2003, salienta a Abecip. A expectativa é de que a carteira tenha um incremento de 50% em 2006. Com relação ao número de unidades financiadas, em fevereiro deste ano foi registrado crescimento de 74%, na comparação com fevereiro de 2005. No bimestre, o crescimento em relação a 2005 foi de 68%. No período de 12 meses, o número de unidades financiadas somou 65.576. Em Alagoas, dados da gerência de Mercado de Habitação da Caixa Econômica Federal (CEF) mostram que em 2004 houve um acréscimo de 30% nos financiamentos em relação a 2003. Em 2005 esse incremento foi de 50% na comparação com 2004. Mais segurança O interesse recente dos bancos privados no financiamento habitacional se deve principalmente a regulamentações de leis que dão mais segurança às instituições na hora de emprestar o dinheiro ao mutuário. Há alguns anos, as operações de crédito imobiliário tinham como garantia o sistema de hipoteca em que o processo de retomada do imóvel do mutuário inadimplente tramitava por anos a fio na Justiça. Com a nova legislação entra em vigor a alienação fiduciária. Pela alienação, o mutuário que atrasar a prestação por três meses pode ter o imóvel retomado em até seis meses. Punição Além disso, os bancos precisam elevar o crédito para habitação e assim evitar a punição por descumprir a meta do CMN de destinar 65% dos depósitos em cadernetas de poupança para o financiamento habitacional. A instituição que não cumpre as metas é obrigada a recolher os depósitos ao Banco Central (BC) com remuneração de 80% da variação da TR (cerca de 2% ao ano), que é inferior ao que a poupança paga ao correntista (TR mais 6% ao ano). Cuidados A franca expansão do crédito imobiliário no País abre várias oportunidades de aquisição da tão sonhada casa própria. Mas os especialistas alertam para os cuidados com este tipo de financiamento. “Vários bancos particulares têm investido recursos da poupança em habitação. A vantagem para o mutuário é que ele pode escolher entre vários agentes financeiros para fechar o contrato. Mas é bom ficar atento às taxas de juros, que ainda são muito altas e podem chegar a 12%, 15% ao ano”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Anthony Fernandes. ### Bancos oferecem planos diferenciados Os bancos privados não perderam tempo e, de olho na classe média, anunciaram os bilhões que estão destinando para o setor este ano. O Bradesco, maior banco particular do Brasil, deve investir R$ 2 bilhões no setor em 2006. No ano passado foram R$ 750 milhões. De acordo com dados disponíveis no portal da instituição, os juros anuais cobrados para este tipo de crédito são de 8% (para imóveis de até R$ 120 mil) e de 12% (imóveis acima de R$ 120 mil). O percentual de comprometimento máximo sobre a renda líquida do mutuário não pode ultrapassar os 28%. O Bradesco só permite a soma das rendas entre os cônjuges. O prazo máximo de financiamento é de 18 anos, com prestação mínima de R$ 300. No Itaú, o segundo maior banco privado do País, R$ 1,4 bilhão será destinado ao empréstimo imobiliário em 2006. Em seu portal na Internet, o banco informa que o prazo máximo de financiamento é de 180 meses (15 anos), com valor mínimo de financiamento de R$ 20 mil e prestação a partir de R$ 375. A renda líquida exigida deve ser no mínimo quatro vezes maior que a prestação inicial, considerando-se apenas os envolvidos no financiamento (máximo de duas pessoas). O Itaú permite que cada financiamento seja formado por, no máximo, duas pessoas, que poderão compor rendimentos para atingir a renda mínima exigida (caso um dos clientes seja casado ou conviva maritalmente, só é permitida composição de renda com seu respectivo cônjuge). |VA ### Parcela fixa em financiamento de 20 anos O Santander Banespa deve investir em 2006 R$ 1,1 bilhão e seus produtos para habitação serão lançados nesta segunda. O principal lançamento é o Plano SuperCasa 20, com parcelas fixas por 20 anos para imóveis a partir de R$ 40 mil, além de benefícios adicionais como carência de até quatro meses para começar a pagar, escolha de um mês por ano para não pagar a parcela, serviços de courier e despachante e assessoria de especialistas, sem custo adicional. O banco financia até 70% do valor do imóvel. No valor das parcelas fixas não estão incluídos os valores dos seguros de vida e de danos físicos do imóvel e da tarifa de serviços administrativos cobrados mensalmente junto com as parcelas. O banco alterou o plano SuperCasa Própria. O valor mínimo do imóvel a ser financiado pelo plano baixou de R$ 60 mil para R$ 40 mil e o prazo de financiamento aumentou de 15 para 20 anos. O SuperCasa Própria, para imóveis até R$ 120 mil, reduziu as taxas de juros de 12% para 7,95% ao mês nos primeiros 36 meses, o que representa uma economia de 23% no valor da primeira parcela em relação aos planos tradicionais de TR + 12% ao ano. Para imóveis de R$ 120 mil a R$ 350 mil, as taxas de juros são reduzidas e decrescentes e o comprometimento de renda, antes de até 25%, agora pode chegar até a 27%. Além disso, nessa faixa de valor de imóvel, oferece devolução de 20% do valor financiado no final do contrato e prêmios de R$ 20 mil em sorteios mensais. ### CEF investe R$ 11 bi; BB anuncia crédito Em fevereiro, o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso anunciou que a instituição pública separou R$ 11 bilhões para o financiamento de imóveis neste ano. Segundo Mattoso, levando em conta os cerca de R$ 6 bilhões que devem ser investidos pelos bancos privados, será destinado o valor recorde de R$ 17 bilhões a R$ 18 bilhões para a compra de imóveis em 2006. De acordo com o presidente da CEF, este volume de recursos é o maior das duas últimas décadas, desde o final do Banco Nacional de Habitação (BNH), afirmou. Em 2005, a CEF investiu R$ 9 bilhões em habitação, o que, segundo Mattoso, “representou o maior volume de recursos dos últimos dez anos”, disse. “No ano passado, 79% foram disponibilizados para a população (com renda mensal) de até cinco salários mínimos”, disse. O Banco do Brasil (BB), que ainda não atua com este tipo de carteira, anuncia para os primeiros meses deste ano a implantação do crédito imobiliário na instituição. Inicialmente, explica o gerente Negocial Pessoa Física do BB em Alagoas, André Holanda, o crédito terá como alvo a população com renda mensal a partir de R$ 10 mil. “Em uma segunda etapa essa faixa de renda será menor”, diz Holanda. O crédito imobiliário também oferece aos bancos a oportunidade de fidelizar o cliente. A lógica é simples: o mutuário será cliente da instituição por um período de até 20 anos e a possibilidade de se vender outros produtos a ele é grande. |VA ### Banco pretende interiorizar microcrédito O Banco do Nordeste firmou parceria com as prefeituras de Maragogi e Cajueiro para incentivar o microcrédito naqueles municípios. Segundo o coordenador estadual do Programa de Microcrédito Orientado do BNB (CrediAmigo), Carlos Campos, a idéia é expandir e interiorizar o atendimento aos microempresários alagoanos. “As prefeituras serão parceiras do programa, divulgando e atuando na formação dos grupos solidários, uma das poucas exigências para obtenção do financiamento. No CrediAmigo não há necessidade de apresentação de garantia real para se receber o crédito. Os componentes do grupo se responsabilizam pelo pagamento de cada um, na forma de aval solidário. Com o apoio das prefeituras, poderemos ter uma atuação mais forte em todo o Estado”, esclarece. O coordenador do programa acrescenta que, em Maragogi, o BNB já possui R$ 532 mil emprestados em microcrédito e, em Cajueiro, cerca de R$ 804 mil. Campos informa, ainda, que estão em análise parcerias com outras prefeituras alagoanas. “Apenas em janeiro e fevereiro deste ano, já aplicamos quase R$ 6 milhões em microcréditos no Estado, em mais de 6.000 operações. Desde a criação do programa, são cerca de R$ 140 milhões em empréstimos de microcrédito. Até o final de 2006, a meta é investir R$ 50 milhões nesse setor”, disse. Campos chama a atenção para a taxa de inadimplência do CrediAmigo em Alagoas, da ordem de 1,58% apenas.

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