Economia
Meirelles reconhece que juros s�o altos
| Marcelo Billi Folhapress Belo Horizonte- Os juros altos são realmente um problema no Brasil, disse na última sexta-feira o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para logo acrescentar que as taxas já estão em queda e que o processo de redução está sendo feito de forma sustentável, e não ?por fatores voluntaristas e artificiais?. O presidente do BC fez as declarações durante apresentação sobre o desempenho da economia para um grupo de empresários brasileiros e norte-americanos e de outros participantes dos seminários que ocorrem antes da reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que começa oficialmente nesta segunda-feira. Antes de mencionar os juros, o presidente do BC apresentou todos os dados sobre o desempenho macroeconômico brasileiro - do bom resultado das contas externas ao nível de atividade. E concluiu: ?O Brasil tem uma plataforma sólida de crescimento?. Segundo o presidente do BC, o País está preparado para enfrentar volatilidades no cenário internacional e não deve sofrer com mudanças na economia mundial - como a alta de juros nos países desenvolvidos. ?O Brasil está preparado para enfrentar volatilidades no cenário internacional. A economia brasileira está dando condições para que as empresas tenham confiança?, argumentou Meirelles. Mesmo os juros altos, diz o presidente do BC, estão paulatinamente sendo reduzidos. ?Se fala muito no Brasil do problema dos juros. Os juros reais são altos e, portanto, se discute muito o que se está fazendo a respeito?, disse, para já responder que, apesar de existir, o problema está se tornando menor. A taxa média de juros era de 21,4% no período 1997-1999, caiu para 15,2% entre 2000 e 2003, para 11,4% entre 2004 e 2005 e, agora, está em 10,4%, disse o presidente do BC, referindo-se à taxa dos contratos futuros de juros de 360 dias, já descontada a inflação. ?[A queda dos juros de mercado] mostra que ela está em trajetória cadente e consistente. Isso mostra que a taxa está caindo de forma sólida e consistente e não por fatores voluntaristas ou artificiais. Estamos em trajetória virtuosa de consolidação de condições de crescimento?, concluiu. Ele salientou que, enquanto o país cresceu em média 1,8% entre 1999 e 2003, a taxa média de crescimento entre 2004 e 2006 deverá ficar em 3,7%, levando-se em conta a previsão do BC para o crescimento neste ano, de 4%. O presidente do BC não mencionou outras médias, mas nos cinco anos terminados em 2005 a taxa média fica mais próxima do primeiro período, oscilando em torno de 2,3%, resultado similar à media dos últimos 20 anos. O presidente do BC mencionou os 3,7% de crescimento médio entre 2004 e 2006 para argumentar que o Brasil tem crescido de forma mais acelerada. ?Não poderia ser mais? Sim, poderia ser mais e temos certeza de que será mais?, afirmou.