Economia
Escolaridade maior n�o define sal�rios
| CLARICE SPITZ Folha Online Rio de Janeiro - Embora o aumento da escolaridade influencie positivamente o rendimento dos trabalhadores em geral, isso não ocorre na mesma proporção entre os diferentes sexos. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais divulgada ontem pelo IBGE, com base em dados da Pnad de 2004, a desigualdade salarial entre homens e mulheres é maior quando aumenta o nível educacional. Em 2004, as mulheres com até quatro anos de estudo recebiam em média por hora o equivalente a 80,8% do rendimento dos homens com o mesmo grau de instrução. Já as mulheres com 12 anos ou mais de estudo recebiam 61,6% do rendimento dos homens. Segundo o IBGE, a região Nordeste tem a maior desigualdade entre os mais instruídos. Lá as mulheres recebem em média 57,7% do rendimento hora dos homens. No Sudeste, as mulheres recebem em média 61,9% do rendimento dos homens. Entre as regiões metropolitanas, diz o IBGE, Salvador tem a maior desigualdade entre os sexos com nível superior. Lá, as mulheres chegam a ganhar 45,9% do rendimento hora dos homens. Como a jornada média de trabalho das mulheres é tradicionalmente menor que a dos homens, rendimento médio por hora é a medida mais apropriada para a comparação salarial. ### Homem trabalha menos que a mulher em casa, diz IBGE Pela primeira vez o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) captou em estatísticas que as mulheres que trabalham fora têm uma jornada extra com afazeres domésticos muito maior do que a dos homens. Segundo o instituto, a jornada complementar média das mulheres trabalhadoras chega a ser o dobro da dos homens no lar, estejam eles trabalhando fora ou não. Em média, as mulheres gastam 22,1 horas por semana em tarefas domésticas, como arrumar ou limpar a casa, cozinhar ou preparar alimentos, passar roupa, lavar roupa ou louça. Orientar ou dirigir ordens a empregadas domésticas, cuidar de filhos, limpar o quintal também são consideradas tarefas domésticas. Enquanto isso, os homens disseram dedicar 9,9 horas semanais para cuidar da casa. Em outras palavras, as mulheres trabalham em casa mais de quatro horas diárias. Já para os homens essa média diária cai para duas. A economista Cristiane Soares afirma que a desigualdade entre os sexos não se dá apenas em termos de quantidade de horas. ?Com certeza, mulheres e homens não fazem as mesmas atividades. Tarefas como limpar o quintal são mais masculinas?, disse. De acordo com a pesquisa, a jornada dupla de mulheres é ainda maior na região Nordeste, onde as mulheres que trabalham fora gastam em média 24,6 horas por semana. CS ///