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Cana: flechamento vai gerar perdas de R$ 270 mi

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Edivaldo Junior A paisagem mudou na zona canavieira alagoana. Nas últimas semanas, quem passou pelas áreas de cana notou a diferença. As plantações de cana estão floridas. Chegam até a lembrar campos cobertos de neve. De longe, um belo espetáculo para os olhos. De perto, prejuízo certo no bolso do produtor. A florescência ou flechamento da cana-de-açúcar para a natureza nada mais é do que a simples emissão de uma flor pela planta. É, no ?pensar? da cana, a perpetuação da espécie. Para o plantador de cana, no entanto, o ?fenômeno? é sinal de perda. A redução na safra será, no mínimo, 20%, aponta o diretor técnico da Associação dos Plantadores de Cana (Asplana), Edvaldo Tenório. A área atingida chega a 130 mil hectares em todo o Estado. ?Só de cana de fornecedores a área de flechamento é de 46 mil hectares?, analisa. A quebra de 20% na produção de cana pode ser ampliada, dependendo do comportamento do clima durante o período de verão. ?Se chover abaixo da média, com certeza a redução será ainda maior?, alerta Tenório. O problema do flechamento atingiu, indistintamente, canaviais de fornecedores e de usinas, nos 32 municípios canavieiros do Estado. A sua incidência, no entanto é um pouco maior nos municípios da zona da mata norte, onde o índice pluviométrico é maior. Em números, a redução de 20% para a safra 2002/2003, estimada inicialmente em 25 milhões de toneladas, representa exatos 5 milhões de toneladas. Considerando apenas o preço da cana colhida, a preços de hoje, a perda financeira chega a R$ 140 milhões. Se considerada a produção industrial, o prejuízo é bem maior, podendo chegar a R$ 270 milhões. Isopor O agrônomo Gilvan Ferreira explica como o flechamento causa perdas comerciais ao produtor. ?A cana gasta sacarose e outros nutrientes para produzir a flor, provocando um quadro que chamamos de isoporização. O colmo da planta fica parecido com o isopor. Somente fibra e quase nenhum açúcar?. A perda de açúcar depende da variedade de cana. Algumas são mais susceptíveis do que outras. ?Dependendo da variedade, a isoporização atinge entre 30% e 70% da planta. A redução de açúcar ocorre na mesma proporção?, afirma. O efeito da isoporização, segundo Edvaldo Tenório, é avassalador. ?A perda nos canaviais afetados é de, no mínimo, 40%?, lamenta. Assim como muitos outros problemas da lavoura, o flechamento não tem como ser combatido, a não ser com manejo preventivo. Ou o produtor cultiva variedades resistentes ou muda a época de plantio. ?Infelizmente, o manejo é muito difícil. Em Alagoas, a de florescência ocorre nos meses de abril e maio. A cana, para não flechar, teria de ser plantada em épocas diferentes. Plantas muito novas ou já maduras não florescem?, explica Ferreira. A outra alternativa, em anos como esse, em que o flechamento surgiu com maior intensidade, que seria a busca por variedades mais resistentes, se mostra ineficiente. ?Este ano todas as variedades flecharam. Até mesmo canas que nunca tinham florescido nos últimos dez anos emitiram flores, como a CO 2021?, revela o pesquisador Geraldo Veríssimo. Condições O flechamento ocorre todos os anos, mas sempre em pequena intensidade. Este ano a florescência atingiu uma área pelo menos três vezes maior do sua ocorrência normal. O fenômeno foi favorecido pelas condições climáticas consideradas atípicas. O excesso de umidade e o efeito do fotoperiodismo (dias menores que as noites), verificados nos canaviais desde o início do ano, teriam criado um ambiente ideal ao flechamento. ?A cana só emite a flor em condições favoráveis para seu desenvolvimento. Este ano tivemos em Alagoas essas condições como nunca tinha ocorrido antes?, analisa Ferreira.

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