Economia
Reden��o do turismo n�o sai do papel
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Faz parte do pensamento corrente de Alagoas a idéia de que apenas grandes investimentos, de preferência estrangeiros com cifras bilionárias, podem reverter o quadro de dificuldades econômicas enfrentadas pelo Estado. É uma espécie de sebastianismo, uma crença sem muito respaldo racional, quase sempre sub-utilizada politicamente para captalizar votos em época de eleição ou estabelecer uma atmosfera de euforia governamental. ### Primeiros entraves do Onda Azul foram ambientais Sobre o Onda Azul já foi dito, especulado e escrito muitas informações contraditórias. Sobre o empreendimento foi formada uma cortina de fumaça e poucas são as pessoas que assumem publicamente declarações e opiniões sobre o empreendimento. Considerado a ?redenção? ou o ?divisor de águas? do turismo alagoano, de 1999 para cá, uma pedra fundamental já foi lançada e o lançamento de mais outra foi anunciado para fevereiro deste ano em uma matéria publicada na Agência Alagoas, do governo do Estado. Na época Geraldo Bentes, chefe do gabinete da Embratur foi quem deu a notícia sobre a pedra fundamental de número dois. PM ### Falta de infra-estrutura impede avanço do projeto Superada a barreira ambiental, fica claro que o Onda Azul enfrenta outro tipo de dificuldade ? do contrário as obras já teriam sido começadas. Segundo fontes do mercado hoteleiro, o grupo também enfrenta dificuldades de diálogo com os representantes do governo do Estado. PM ### Investidores mantêm segredo Quando o assunto é o Onda Azul pouco de concreto pode-se afirmar sobre a estatura de seu projeto. Para dar uma dimensão correta do empreendimento, a Gazeta entrou em contato com Stephane Boivin, engenheiro canandense, representante dos investidores e enviou perguntas para saber concretamente quanto seria investido, quais obras estão previstas no projeto, as dificuldades encontradas, bem como expectativa de retorno do investimento. PM ### Entre a esperança e a descrença | SEVERINO CARVALHO Repórter Passo do Camaragibe - Em meio ao mato e sob a sombra do denso coqueiral da Fazenda Barra do Camaragibe, no município de Passo do Camaragibe, no Litoral Norte de Alagoas, descansam quatro toscas placas de madeira. Para ler o que está escrito é preciso ter boa visão. O tempo borrou as informações. Os letreiros são a única alusão ao mega-projeto Onda Azul, que enche de expectativas a população, mas que ainda não saiu do papel. ### Após a capacitação, vem a espera pelo emprego Longe de ser um superempreendimento turístico, o único Onda Azul palpável mesmo em Passo do Camaragibe, por enquanto, é um quiosque localizado no centro do município. Carinhosamente denominado pela prefeita Márcia Coutinho (PTB) de Onda Azul, o pequeno estabelecimento é símbolo da expectativa gerada em torno do complexo turístico. SC ### Nova data é marcada para início de obra Passo do Camaragibe - O proprietário da Fazenda Morros do Camaragibe, o engenheiro civil Daniel Vasconcelos, garantiu que até novembro começam as obras de construção do complexo hoteleiro Onda Azul em Passo do Camaragibe. A demora, segundo ele, ocorreu em virtude da grandiosidade do projeto que exigiu longos estudos de impacto ambiental até a liberação das licenças pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e, por último, no dia 30 de junho, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Vasconcelos disse que a falta de infra-estrutura impede o início imediato das construções nesse momento. SC ### Notícias criam falso clima de otimismo A construção de novos empreendimentos hoteleiros de qualquer porte e de complexos turísticos como o Onda Azul é bem-vinda à economia alagoana. Claro, desde que mantenham o foco na sustentabilidade, no respeito à natureza e às comunidades. O problema do Onda Azul é a cortina de fumaça criada em torno dele e a grande expectativa gerada pelos números e cifras exageradas que criam um falso clima de otimismo desenvolvimentista. SC ///