Economia
Pessimista, Copom aponta alta da infla��o para 5,5%
O Copom (Comitê de Política Monetária) aumentou sua previsão de inflação, o que sugere um pessimismo da autoridade monetária sobre uma eventual queda nos juros. Ao mesmo tempo, reafirmou seu compromisso com a ?retomada? da queda nos juros, apesar de não saber em qual ?momento? isso poderia acontecer. A informação consta da ata da reunião da semana passada, que manteve os juros inalterados em 18,5%. De acordo com a ata, a inflação neste ano deve agora ficar ?acima de 5%?, no IPCA, o índice oficial das metas de inflação. Até então, a expectativa era de que a inflação ficasse ?acima de 4,5%??. A meta do governo é que o IPCA fique em até 5,5%. Até abril, o IPCA acumula alta de 2,3% e nos últimos 12 meses, de 7,98%. O maior motivo de preocupação hoje com a inflação é a recente valorização do dólar. Também preocupa a safra de aumento das tarifas de energia, que começam em junho. Até o mês passado, a grande preocupação do governo era com o preço da gasolina. Nesse mês, porém, o Copom manteve sua previsão de que a gasolina terá uma queda média de 6% em 2002. Já para o gás de cozinha, a previsão é que o aumento seja de 29%. Até o mês anterior, era de uma elevação de 30%. Ontem, a Petrobras anunciou novo aumento de 9,2%. Retomada do corte de juros, apesar de considerarem que a trajetória projetada para a inflação é de queda, com uma estimativa de IPCA em 2003 abaixo da meta de 3,25%, os integrantes do Copom não chegaram a um consenso sobre o momento adequado para a retomada do processo de redução da taxa básica de juros. A afirmação consta da ata da reunião, divulgada há pouco pelo Banco Central. ?Apesar de a projeção da inflação para 2003 estar abaixo da meta, a maioria dos membros (do Copom) considerou que o balanço dos riscos para 2002 - a piora no risco-Brasil, a recente depreciação cambial e a proximidade das projeções de inflação ao teto da banda neste ano- recomenda confirmação da trajetória de queda da inflação para a flexibilização da política monetária, que ainda tem impacto sobre o resultado do ano?, diz a ata do Copom. A manutenção da taxa de juros em 18,5% ao ano foi decidida por cinco votos a três da diretoria do Banco Central. O Copom ainda precisa de sinais mais evidentes de queda da inflação para apostar na redução dos juros, de acordo com a ata.