Economia
P�blico C, D e E na mira das operadoras
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Apenas 5,4% da população alagoana dispõem de plano de saúde. É o que informa a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão ligado ao Ministério da Saúde. Com uma população formada por pouco mais de 3 milhões de habitantes, o Estado tem apenas 162,4 mil usuários da rede privada de saúde ? a esmagadora maioria da população conta apenas com o atendimento público quando têm problemas de saúde. A cobertura da rede privada de atendimento em Alagoas é uma das menores no Nordeste ? perde apenas para o Piauí, que tem basicamente o mesmo número populacional de Alagoas e apenas 117,9 mil usuários de plano de saúde (3,9% de cobertura), e para o Maranhão, que tem 224,6 mil usuários em um contingente populacional de 6,1 milhões de habitantes, uma cobertura de 3,7%. ### Poder aquisitivo de quem ganha até 3 mínimos subiu Essas empresas que estão apresentando planos populares sabem que existe em Alagoas um mercado com grande potencial de expansão. Afinal, no Estado, há 400 mil famílias dos chamados segmentos C e D, que têm renda de até cinco salários mínimos. Esse público imenso, mais que o dobro do contingente assistido atualmente pelos planos de saúde em atividade, tem renda crescente e consome, cada vez mais, os novos serviços como os de telefonia celular, TV a cabo e Internet. ### Operadoras populares cobram menos da metade Em maio último, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou um reajuste anual máximo de 8,89% para planos de saúde individuais ou familiares contratados a partir de janeiro de 1999. Com isso, os planos de saúde registraram aumento acima da inflação dos últimos 12 meses, que ficou em 4,64% pelo IPCA (principal índice de inflação ao consumidor do país) e em 3,34% pelo INPC (índice que serve de base para os reajustes salariais), causando impacto negativo no bolso de 6 milhões de brasileiros. Na ocasião, a ANS argumentou que o reajuste deste ano foi menor que os de 2005 e 2004, quando a agência permitiu alta de preços de 11,69% e 11,75%, respectivamente. ### Consumidor deve verificar dados na ANS Se por um lado os novos planos populares tendem a aumentar a cobertura dos planos de saúde em Alagoas, por outro eles despertam desconfiança de alguns profissionais do ramo da medicina. Segundo Wellington Moura Galvão, presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, a entidade está convocando alguns representantes das chamadas operadoras populares para saber se os honorários mínimos da categoria estão sendo respeitados. ?O valor mínimo pago por uma consulta no Estado é de R$ 36. Com preços tão baixos para o consumidor, estamos apreensivos em relação ao aviltamento do exercício da medicina?, diz. ///