Economia
Consignado injeta R$ 191 milh�es em AL
| PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Os bancos, quem diria, já torceram o nariz para o crédito consignado. Logo que ele foi implantado, em setembro de 2004, inúmeros críticos apostavam no seu fracasso, afirmando que ele iria levar à bancarrota tanto as instituições financeiras, quanto os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que ficariam excessivamente endividados por causa da facilidade do crédito. Felizmente, as teorias apocalípticas não se confirmaram. Pelo contrário. Às vésperas de completar dois anos de existência, a linha de crédito mostrou ser um bom negócio para os bancos ? já que a taxa de inadimplência é de 1,2%, segundo o Banco Central (BC) ? e os beneficiários do INSS deram um exemplo no quesito crédito responsável, fazendo bom uso dos recursos disponíveis. ### Teto teve impacto sobre bancos de menor porte As taxas de juros cobradas nas operações de crédito consignado são as menores do mercado de crédito pessoal. Segundo informações do Banco Central (BC), a taxa média anual da linha de crédito é de 40,27%, enquanto que o juro cobrado no crédito pessoal convencional é, em média, de 62,2% ao ano. As taxas do cheque especial, por exemplo, giram em torno dos 145,1% anuais. Contudo, por ser uma operação de crédito de baixo risco, já que o desconto em folha inibe a inadimplência, há quem reivindique juros ainda menores do que o teto fixado em julho pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), de 2,86%. Atualmente, o índice de inadimplência entre os beneficiários do INSS, de acordo com dados do BC, é de 1,2%. O pagamento deixa de ser repassado aos bancos pelo INSS quando o segurado morre. ### Inadimplência baixa é o maior trunfo Apesar de ter as margens de lucro diminuídas ? graças à extinção da cobrança da Taxa de Abertura de Crédito (TAC), em março deste ano, e da criação do novo teto para as taxas de juros, de 2,86% ? o crédito consignado continua sendo um bom negócio para as instituições financeiras. É o que garante o diretor da Associação Brasileira dos Bancos (ABBC), Renato Oliva. ?Claro, o baixo índice de inadimplência do consignado é o seu maior trunfo?, explica. E a argumentação do executivo é bem procedente. De acordo com dados do Banco Central (BC), o volume de crédito inadimplente total do País, com atrasos acima de 90 dias, cresceu de R$ 15,81 bilhões em dezembro de 2004, para R$ 26,27 bilhões em maio último. Ou seja, um aumento de 66,2%. ///