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Pro�lcool � vi�vel, desde que n�o se repitam erros

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EDIVALDO JUNIOR De vocação exportadora por natureza, o setor sucroalcooleiro alagoano acompanha com declarado interesse as discussões em torno da ressuscitação do Proálcool ? programa responsável, nos anos 70 e 80 pelo crescimento da lavoura canavieira no Estado ? retomadas pelo governo a partir de abril, com a posse de Sérgio Amaral, no Ministério do Desenvolvimento. O Proálcool é viável, desde que não se repitam os erros do passado. O alerta é do presidente do Sindaçúcar (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas), Jorge Toledo. ?A crise do álcool foi gerada porque o governo quis forçar a indústria a vender álcool por um preço baixo, quando o mercado do açúcar estava em alta no mundo. As usinas são como qualquer outra empresa e estão sempre em busca do melhor negócio, até para garantir sua sobrevivência. Naquele momento, a indústria tentou se proteger da imposição do governo e por isso faltou álcool?, analisa. Para evitar a repetição do erro, Jorge Toledo vai apresentar uma proposta simples, no entanto, eficiente, assegura. ?Defendemos a internacionalização dos preços do álcool da mesma forma que é feita com os derivados do petróleo. Se podemos atrelar o preço da gasolina ao mercado externo, porque não é possível o mesmo com o álcool??, questiona. Com o atrelamento dos preços ao mercado externo, o governo não precisaria criar impostos para exportação de açúcar ou adotar quaisquer outras medidas, a não ser o financiamento dos estoques. ?Com o atrelamento, os preços do açúcar e do álcool seriam regulados pelo mesmo mercado. Evitando desequilíbrios na produção influenciados pelo mercado internacional como ocorreu em 1989?, argumenta. Preferência No fim dos anos 80, o carro a álcool era quase uma unanimidade entre os brasileiros. As vendas do automóvel ecologicamente correto chegaram a representar naquela década 90% das vendas de veículos de passeio no Brasil. Hoje, a realidade é outra. Nos postos, o combustível genuinamente verde-amarelo representa no máximo 5% do faturamento. Depois da crise do álcool de 1989, quando motoristas, desesperados, não conseguiam tentavam abastecer seus carros, os automóveis a álcool praticamente caíram no esquecimento. E as vendas despencaram para mero 1% nos últimos anos. De olho no mercado internacional, o ministro do De-senvolvimento, Sergio Amaral, passou a defender a retomada do programa de incentivos à fabricação do álcool e pediu às montadoras o aumento da fabricação dos veículos movidos com o combustível. Num claro sinal de reação aos recados do governo, em abril foram vendidos 3.426 carros a álcool no País, o equivalente a 2,9% do total de veículos comercializados. Em abril de 2001, os carros a álcool foram responsáveis por 0,9% do total de veículos vendidos. Em 1998, representavam 0,1%. Apesar de jogar para a platéia brasileira, Sérgio Amaral aposta nas exportações para Japão, Estados Unidos e vários países europeus que estão obrigando - por questões meramente ambientais - a mistura de um percentual entre 5% e 10% de etanol na gasolina. Regras O governo, no entanto, quer impor regras para impedir que se repitam crises de desabastecimento, a exemplo da de 1989. Entre as medidas propostas está a taxação das exportações de açúcar ? o que forçaria as usinas a diminuir a produção do produto e a aumentar a fabricação de álcool. Os empresários do setor são contra. Eles oferecem garantias de que podem manter o mercado abastecido sem a necessidade da taxação. Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União da Agroindústria Canavieira (Unica), em São Paulo, disse que os produtores de açúcar se comprometeram a financiar estoques de 10% do mercado, que consome cerca de 10 bilhões de litros anuais e defende prioridade para o mercado interno. ?É mais fácil ressuscitar um mercado do que criar um novo?, disse ele, referindo-se ao mercado externo. Lyndsay Jolly, analista da Organização Internacional de Açúcar, espera que a produção deste ano aumente para 13,3 bilhões de litros, em comparação aos 11,5 bilhões em 2001, dizendo que os produtores brasileiros estão tentando desenvolver um mercado para dar conta da safra recorde. O Brasil ainda tem uma frota de 3 milhões de carros a álcool e uma imensa rede de distribuição. Mesmo a Petrobras poderá se beneficiar do programa, com suas redes de bombas de álcool por todo o país e a possibilidade de vender o excesso de petróleo no exterior. ?Achamos que é uma boa oportunidade se houver um mercado competitivo para o álcool?, disse Francisco Gros, presidente da empresa.

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