Economia
Prefeito v� desperd�cio e aponta solu��o barata
O prefeito de Piranhas (a 282 Km de Maceió), Inácio de Loyola, teme que o Canal do Sertão em Alagoas seja mais um engodo, uma bandeira sem nexo. Ele denunciou o desperdício do projeto e apontou a solução rápida e barata ? a revitalização das bacias internas, ou seja, os afluentes, até porque de nada adiantará recuperar a calha principal (Rio São Francisco) se os afluentes continuarem depositando material orgânico e areia durante as cheias periódicas. Agrônomo formado pela Universidade Federal de Alagoas ? Ufal ? e criado à margem do São Francisco, Inácio junta a visão da infância com o conhecimento técnico, para se posicionar. ?Tem muita gente falando sobre o São Francisco, mas só conheceu o rio agora. Não sabem o que é o São Francisco?, disse o prefeito. Biodiversidade Inácio considera o projeto do Canal do Sertão um erro e duvida dos resultados positivos anunciados. ?Parece uma brincadeira, quando a gente observa esse canal natural majestoso, que vem de Minas Gerais e corre para o mar. Não há nenhum projeto beneficiando o Sertão. Não tivemos capacidade de explorar o canal natural e queremos ter condições de projetar um canal até Arapiraca (a 126 Km de Maceió). Isso é absurdo?, completou. O prefeito diz que não está só e cita o cientista José Theodomiro, a maior autoridade sobre o Rio São Francisco, que defende a mesma solução, ou seja, a recuperação dos afluentes do rio. O professor Theodomiro visitou os municípios de Olho D?Água do Casado e o Povoado Piau, em Piranhas, inspecionando as bacias formadas pelo Rio Capiá. Críticas Inácio, que se transformou também no crítico da Companhia Hidrelétrica do São Francisco ? Chesf ? critica os que falam sobre o São Francisco sem conhecer o que é barranqueiro e, principalmente, o que o rio representava antes para a população ribeirinha, não só como opção de renda ? pesca, transporte, etc. ? mas como via de comunicação. ?Hoje, para se navegar no rio é preciso conhecer os atalhos. O assoreamento tornou a navegação impossível e perigosa?, destacou. Também a oferta de proteínas foi reduzida bruscamente e o que resta no rio, veio de fora, não é natural do São Francisco. Exemplo: o tucunaré, que foi trazido do Rio Amazonas para ser criado na Barragem de Xingó e acabou por acidente, ganhando o curso normal do rio. Perdas O prefeito de Piranhas recusa o posto crítico da Chesf, mas fez as contas e indagou: ?Que região no mundo recebeu investimentos de 30 bilhões de dólares e não é hoje um paraíso? Pois esse foi o valor que a Chesf recebeu desde a sua fundação, e onde estão os benefícios prometidos? Estão na Bahia e em Pernambuco. A verdade é que, de Paulo Afonso, na Bahia, para baixo não tem nada, só a degradação?. Inácio, com conhecimento de causa ? é agrônomo - diz que a água do São Francisco, na direção da foz, ou seja, a jusante de Xingó, perdeu nutrientes. ?A água passa uma semana, um mês represada nas barragens, depurando-se; quando é liberada, não tem mais nutrientes. Límpida, favorece a penetração dos raios solares ao fundo do rio.