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Canal do Sert�o ficar� em Pernambuco

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ROBERTO VILANOVA O Canal do Sertão de Alagoas será instalado em Pernambuco, de acordo com o projeto apresentado pela Companhia de De-senvolvimento do Vale do São Francisco ? Codevasf ? à Agência Nacional de Águas ? ANA. O novo projeto, elaborado pela Codevasf, refez o traçado do canal alagoano e definiu a tomada d?água para a Barragem de Itaparica, no município pernambucano de Petrolândia; no projeto original a tomada d?água tinha sido projetada para o Povoado Caixão, em Delmiro Gouveia (a 285 Km de Maceió). A assessoria da presidência da ANA negou, ontem, que a obra tivesse sido autorizada. Em nota enviada à GAZETA, informou que a construção do canal depende da definição de quem vai pagar a conta d?água, se o governo de Alagoas ou de Pernambuco; além disso, no Orçamento Geral da União foram disponibilizados apenas 18 milhões e 200 mil reais do montante de 80 milhões de reais previstos para este ano. Outro obstáculo impede o início da obra: nenhum projeto no Rio São Francisco pode ser executado antes da instalação do Comitê de Bacias. Quimera A idéia para se construir um canal e irrigar o Sertão foi discutida na década de 1940, pelo então deputado federal Rui Palmeira. Mas só virou projetado no governo Geraldo Bulhões (1990/94), que chegou a escavar 13 quilômetros de valas. O projeto do canal complementava outro, destinado à irrigação do perímetro do Moxotó, na divisa de Alagoas com Pernambuco, mas foi paralisado no governo Suruagy (1994/98). O Canal do Sertão deveria trazer água do Rio Moxotó, perenizado a jusante da barragem, até Arapiraca, através de dutos e canais que projetariam a água por gravidade. Mas há quem considere o projeto uma quimera e duvide da sua execução, entres esses está o economista e ex-consultor do Banco Mundial, José Gentil Malta Marques. ?O projeto tem custo elevado, está orçado em mais de 200 milhões de dólares. Custa mais do que todo o orçamento do Banco Mundial para o Nordeste. Eu não acredito na liberação dos recursos financeiros?, disse Gentil. Obstáculos Gentil também adverte que o Canal do Sertão tem efeitos positivos duvidosos, quer na questão da quantidade de pessoas beneficiadas, quer na qualidade do solo a ser irrigado; há risco de salinização, o que torna a terra imprestável à agricultura. Gentil defende a recuperação e a perenização dos afluentes do Rio São Francisco, que são temporários. ?Se os rios Ipanema, Capiá e Traipu forem perenizados, a população beneficiada e o número de hectares irrigados são maiores que os números apresentados no projeto do Canal do Sertão?, completou. Confirmando o obstáculo jurídico que impede a execução do projeto ? qualquer projeto no Rio São Francisco ? antes da instalação do Comitê de Bacias, o cientista José Theodomiro, a maior autoridade sobre o rio e o provável presidente do Comitê de Ba-cias, foi taxativo: ?Qualquer discussão sobre projetos no Rio São Francisco são apenas desejos que podem ou não ser realizados. Nada do que se discutir sobre o rio terá validade, antes de ser referendado pelo Comitê de Bacias?, avisou. Quanto à definição sobre a responsabilidade da conta pelo consumo da água, a ANA sugeriu aos governos de Alagoas e Pernambuco discutirem a forma de pagamento. O governo alagoano entregou o projeto do canal para a Codevasf, que decidiu estender a tomada d?água para Petrolândia, em Pernambuco. Antes de atingir a divisa alagoana, o canal vai irrigar terras de Petrolândia, Inajá e Tacaratu.

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