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Crise faz alagoano mudar h�bitos de consumo

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FERNANDA MEDEIROS O aumento do desemprego, a queda da renda e o alto custo das tarifas públicas estão fazendo com que o povo brasileiro mude seus hábitos de consumo e passe a dar prioridade ao pagamento de serviços essenciais ? água, luz, telefone, etc. ? e à compra de alimentos e bebidas. Produtos como roupas, eletrodomésticos, calçados, automóveis, objetos de higiene e lazer estão ocupando um segundo plano na vida das pessoas. Vários são os indicadores de consumo que comprovam essa informação. A administradora Credicard, por exemplo, divulgou recentemente alguns dados que apontam que entre os 35 milhões de usuários de cartão de crédito do País, entre 1994 e 2001, o percentual de gastos com alimentação saltou de 12% para 26%, enquanto isso, todos os outros gastos diminuíram. O vestuário, que respondia por 27% das faturas dos cartões, caiu para 18%, as despesas com entretenimento baixaram de 17% para 14% e a participação de hobbies passou de 5% para 3%. Os números deste ano também mostram que nos três primeiros meses do ano, os supermercados expandiram suas vendas enquanto todos os outros setores tiveram redução, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os alagoanos também seguem a mesma direção do restante do País, pois estão mudando seus hábitos de consumo e comprando mais alimentos e menos roupas, automóveis, eletros, entre outros produtos. ?Dou preferência à alimentação, é claro?, afirma a vendedora Iracilda Márcia dos Santos. Casada, mãe de dois filhos, ela revela que sempre cumpre os compromissos financeiros, mas quando a grana ?encurta? dá prioridade ao pagamento e à compra de alimentos. ?Água e luz também são essenciais, pois fazem parte das necessidades diárias?, avisa. Iracilde informa que há tempos não compra um eletrodoméstico para dentro de casa. ?Prefiro deixar os que possuo ficarem bem velhinhos do que comprar um aparelho novo, a toda hora. Lá em casa, costumamos usar os aparelhos que temos até quando der. Para ser sincera, nem lembro a última vez que comprei um eletrodoméstico?, salientou. A funcionária pública Fátima Santos também entrou no ritmo de mudar os hábitos de consumo. Opta pelos gastos com a boa alimentação, em detrimento dos gastos com roupas, calçados e aparelhos eletrônicos, por exemplo. ?Para quem tem filhos (ela tem uma filha de sete anos) a situação é mais delicada, pois fazemos questão de dar a eles o melhor. Compramos alimentos saudáveis para que possam crescer sem problemas de saúde e bem alimentados. Enfim, como diz a gíria: o pão das crianças não pode faltar?, declarou.

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