Economia
Produ��o � vendida sob encomenda
Ouro Branco ? Metade da brita, dos meios-fios e paralelepípedos vendidos em Maceió, vem da pedreira do açude de Ouro Branco. A distância é compensada pelo custo de produção, que garante lucro superior a 30%, já descontado o frete. O metro do meio-fio custa 1 real e 80 centavos; o quilo de brita é 50 centavos e o paralelepípedo seis centavos a unidade. No comércio, o valor dobra. ?Esse material é igual a cheque visado?, compara o professor Domingos, mostrando que toda a produção é vendida sob encomenda. ?Tanto tenha, não há limite, porque o mercado da construção civil é insaciável?. Apesar de a atividade agredir o meio ambiente e comprometer o ecossistema do semi-árido, nem o Instituto do Meio Ambiente (IMA), nem o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) apareceu na região. ?Ninguém fez nada, ninguém diz nada, enquanto isso, a degradação avança?, disse o professor Domingos. Ele atua na região há cinco anos e garante que a área explorada pela pedreira aumentou mil por cento. ?Quando cheguei aqui a exploração se restringia a uma área inferior a duas tarefas; hoje, são vários hectares?, contou. De um lado a questão ecológica, de outro a questão social. Zé e os amigos Luiz e Pedro não teriam do que sobreviver se não fosse a pedreira. Desempregados, ele optaram pelo serviço porque era a única saída que tinham, numa cidade onde a força de trabalho se resume ao funcionalismo público municipal, ao comércio insipiente e aos aposentados. ?A gente não tem alternativa. A agricultura não dá, emprego não há e o jeito é usar a imaginação. Aqui a gente sobrevive com imaginação e a proteção de Deus. Ainda assim, a gente tem de se virar para arranjar a mistura (proteína)?, disse Zé. A ameaça O professor Domingos mostrou que a devastação vai comprometer o açude, que já está com o volume reduzido. ?Antes, a perda de água era só com a evaporação; hoje, a água está escorrendo pelas fendas abertas nas rochas?, avisou. O açude de Ouro Branco é um dos mais antigos de Alagoas ? foi construído na década de 1940; mas está com os dias contados, segundo o professor Domingos. ?Os mais jovens não conheceram o açude cheio, como antes. Os moradores mais antigos garantem que o volume de água foi reduzido para menos da metade do que era, quando o açude foi inaugurado?.