loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 31/07/2026 | Ano | Nº 6279
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Pedreira amea�a a�ude hist�rico no Sert�o

Ouvir
Compartilhar

ROBERTO VILANOVA Ouro Branco (AL) - As rochas que represam a água do açude da cidade estão virando brita, paralelepípedos e meio-fio. A cada marretada, compromete-se o açude, que está com volume reduzido apesar das chuvas que se precipitam em todo o Estado ? é que a água está se infiltrando pelas fendas abertas com a exploração comercial intensiva. As autoridades municipais sabem dos riscos com o comprometimento do açude, mas esbarra na questão social, com o desemprego. Trinta pessoas, incluindo crianças, produzem vinte mil paralelepípedos, uma tonelada de brita e dois mil metros de meio-fio por semana; a produção é vendida sob encomenda para Maceió e cidades vizinhas, inclusive de Pernambuco. Questão social O açude, construído na década de 1940 aproveitando-se as rochas como paredes de contenção, ainda hoje é a única opção para se armazenar água na cidade. Durante a seca de 1970, foi a salvação para os sertanejos; mas está ameaçado de secar, devido à exploração como pedreira. ?A tendência é o açude secar, devido às fendas abertas para extração das rochas?, avisou o professor José Domingos, que realiza pesquisas arqueológicas na região. Embora admita que a pedreira é a única opção de emprego, fora do poder público, no município, o professor indagou se compensa a destruição. ?É uma questão social, sem dúvida, mas é preciso saber se vale à pena deixar destruir as rochas e acabar com o açude. Se valer, então tudo bem, não podem reclamar depois?, posicionou-se o professor. Único O açude de Ouro Branco está localizado na periferia da cidade e é o único no Estado construído aproveitando-se o lajedo acidentado em forma de bacia. Na verdade, são várias bacias naturais ? a água, apesar de não receber tratamento, é consumida pela população. Na falta de emprego, a pedreira é a única opção que a população tem para sobreviver ? quem não é empregado do poder público, ou aposentado, se vira na pedreira. E não são apenas os adultos que trabalham na pedreira; crianças com idade entre 10 e 12 anos ajudam a família a garantir a meta semanal de produção, cuja média é de 300 paralelepípedos, 150 quilos de brita e 500 metros de meio-fio por pessoa. O que fazer O jovem José dos Santos, 18, trabalha na pedreira há seis anos ? começou criança, com doze anos. Sem proteção ? ninguém usa óculos, luvas ou capacete - Zé, como é chamado pelos colegas, é um dos que mais produzem. As mãos calejadas são testemunhas do trabalho pesado ? a marreta e os grampos de ferro são os instrumentos inseparáveis dos que vivem da pedra. ?Às vezes a gente dinamita?, explicou, mas isto não significa que a tarefa será maneira. Os blocos estilhaçados são depois lapidados. Mas o uso de dinamite não é recomendável, devido às perdas ? a rocha se fragmenta. Só em caso especial, quando a rocha se fixa com mais resistência no solo, é que se utiliza a dinamite; a maior parte do trabalho é realizada com base na experiência dos verdadeiros artesãos de pedras.

Relacionadas