Economia
Cadastro da Acrefi pode provocar discrimina��o
São Paulo - Órgãos de defesa do consumidor estão criticando o novo cadastro positivo de clientes de bancos e financeiras criado pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), chamado Acrefi Positivo. Especialistas da Fundação Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual, e do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) acreditam que o novo produto não vai auxiliar na avaliação do crédito e pode causar discriminação daqueles que possuem pequenas pendências. O Acrefi Positivo foi criado pela Acrefi em parceria com a Serasa - Centralização dos Serviços dos Bancos. O presidente da Acrefi, Ricardo Malcom, diz que o produto tem por objetivo aperfeiçoar a análise de concessão de crédito nas instituições financeiras, identificando o histórico dos clientes que pagam sua contas em dia. ?Os bons pagadores poderão negociar uma redução nas taxas de juros do crédito pessoal. Já as financeiras vão utilizar o produto para baixar o nível de inadimplência e correr menos risco de levar calote?, afirma. O advogado do Idec, Marcos Diegues, ressalta que a preocupação dos técnicos em defesa do consumidor é de o produto ser utilizado de forma discriminatória. ?Esse cadastro positivo pode ser um fácil instrumento de discriminação, pois quem não estiver neste cadastro poderá ser taxado como mau pagador, mesmo sem ter nenhuma ou pequenas pendências?, avalia. Diegues compara o cadastro positivo com a determinação do Banco Central de colocar data de início da conta corrente nos cheques. ?Alguns comerciantes não estão aceitando cheques de clientes com menos de um ano de conta corrente. Isso é ilegal e fere o Código de Defesa do Consumidor. Será que não vai ocorrer o mesmo com o consumidor que não estará listado no cadastro positivo quando for parcelar uma compra??, questiona o advogado do Idec.