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Usu�rios de energia solar querem luz el�trica

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ROBERTO VILANOVA Ouro Branco ? Metade dos sertanejos que aderiram ao Projeto de Energia Solar desistiu e quem ainda se mantém no sistema cobra a adesão ao Projeto Luz no Campo, para energia elétrica. ?Está difícil de manter o pessoal. Muita gente veio devolver as baterias, o que inviabiliza os grupos criados para operar com o sistema alternativo?, salientou Silvana Henrique, coordenadora do grupo do Sítio Belém. Ela também pensa em desistir, alegando a limitação da potência fornecida pelo sistema implantado pela Fundação Teotônio Vilela, responsável pelo projeto. A queixa maior é contra a desinformação ? ninguém explicou que a capacidade do sistema alternativo era de apenas 12 volts, potência suficiente apenas para dois bicos de luz. ?Ninguém pode ligar uma geladeira, aparelho de som ou televisão, exceto a tevê portátil, preta e branca, que também funciona à pilha. Desse jeito, não dá para manter o pessoal no grupo, eles têm razão em reclamar?, admite Silvana. O raio Outro problema alegado pelos usuários do sistema de energia solar é o anúncio da Fundação Teotônio Vilela, alegando que vai cobrar pelo uso das baterias solares após dois anos de instalação. Maria José dos Santos, zeladora do grupo municipal no povoado Bonito, contou que a fundação também está exigindo o pagamento dos equipamentos danificados por um raio que caiu em Ouro Branco. ?Eu nunca ouvi dizer uma coisa dessa. É como se a gente fosse culpada pela queda do raio. Na minha opinião a fundação é que deveria indenizar o consumidor. O raio atingiu a placa, passou para a bateria, queimou a fiação e trincou a parede da casa. Está lá para todo mundo ver?, disse Maria José. A jogada O projeto de energia solar executado pela Fundação Teotônio Vilela, com financiamento do Banco Mundial e do governo federal, só funciona onde a rede elétrica da Companhia Hidrelétrica do São Francisco ? Chesf - está distante. ?Até dez quilômetros de distância tem gente se cotizando para puxar uma linha-tronco. O preço compensa, porque a energia elétrica é mais barata e tem potência suficiente para atender as nossas necessidades?, frisou Silvana. Mas enquanto os usuários reclamam da potência exígua, a Organização Não Governamental (ONG) Eco-Engenho defende a inclusão do projeto de energia solar no Programa Luz no Campo. A ONG é dirigida pelo sr. José Roberto Fonseca e Silva, diretor da Fundação Teotônio Vilela e responsável pela implantação do projeto alternativo. Os usuários de energia solar desconfiam da proposta, até porque reprovaram o projeto alternativo. ?Nessa jogada eu não entro. Eu quero luz forte, potência suficiente e preço baixo?, afirmou José Gomes, outro usuário de energia solar, arrependido. O sistema de produção alternativa de energia solar devido aos usuários em grupos de trinta pessoas, pagando, cada grupo, a cota de 360 reais por mês ou 12 reais por residência, por apenas doze volts de potência. Quem desejar aumentar a potência para 110 volts, por exemplo, tem de pagar 96 reais pelo uso de oito baterias. ?Não compensa. Nem mesmo quem tem condições de pagar aceita esse preço. Para você ter uma idéia, a mesma potência de energia elétrica custa no máximo 40 reais, menos da metade?, destacou Silvana, que assumiu a coordenação do grupo no lugar da mãe.

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