Economia
Crise atrapalha mercado de carros usados
As vendas de carros usados caíram 24,3% nos primeiros cinco meses deste ano em relação ao mesmo período de 2001, conforme dados da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores de São Paulo (Assovesp). Os comerciantes locais preferem não admitir a crise, segundo eles isso espantaria ainda mais os consumidores. Embora as revendedoras não confirmem, o desaquecimento no setor automotivo de seminovos é inegável. As vendas entraram em declínio em agosto do ano passado quando estouraram a crise Argentina, o racionamento de energia e os atentados terroristas em Nova York, depois disso o mercado esboçou pequenas reações mas agora passa por seu pior momento. Causas De acordo com dados fornecidos pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), com filial em Maceió, o percentual de queda nas vendas de usados em junho deve ficar por volta de 30% (a maior baixa de 2002). ?Já era esperado porque junho é tradicionalmente um mês fraco nas vendas?, justificou o índice negativo, Luís Ramalho, vendedor de uma concessionária Ford de Alagoas. A principal causa para a situação parece ser realmente o fator cultural, uma vez que o brasileiro é um dos mais aficionados por carro no mundo, mas especificamente pelo carro novo. Como o carro usado não oferece as mesmas vantagens do novo, que têm juros mais baixos e condições facilitadas de financiamento, o consumidor prefere sucumbir ao ?sonho do carro zero?, mesmo que seja um popular ?pelado?, a adquirir um seminovo com todos os opcionais de conforto e segurança pelo mesmo valor. Segundo um dos gerentes de vendas da rede de concessionária Volkswagen do Estado, Paulo Quintela, são poucas as revendas que mantêm os estoques de seminovos em nível considerado normal. Contudo, algumas delas já suspenderam o recebimento do usado como parte do pagamento na compra do novo e as que não bloquearam só aceitam os modelos mais procurados pelo público, o que a médio prazo deve afetar também as vendas do veículo novo. As vendas estão tão desanimadoras que a Mangabeiras Veículos nem negocia mais carros usados. ?Preferimos repassar os modelos que recebemos para Recife, Sergipe e cidades do interior como Caruaru?, declarou Ricardo Olegário, gerente de veículos usados.