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Economia

Popula��o teme vivenciar mesmos problemas

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A população teme a crise Argentina, mas prefere acreditar que o brasileiro não passe a viver o mesmo drama do país vizinho. Na opinião dos entrevistados, tudo depende de decisões governamentais. ?Acho que o agravamento da crise no Brasil está na dependência de decisões políticas. Se os governantes não tomarem atitudes, a coisa pode complicar?, disse o estudante do 3º ano do ensino médio, José Fernandes Santos Júnior, 17 anos, residente no Tabuleiro do Martins. Ele apontou o desemprego como o maior problema, fator de empobrecimento populacional. Mesmo desempregada, Maria Madalena da Silva, 26 anos, residente no Bom Parto, prefere não acreditar que o Brasil pode virar uma Argentina. ?Vivemos em dificuldades, enfrentamos muitos problemas, mas nosso País é imenso e cheio de riquezas, devemos continuar a luta?, falou Maria Madalena. Para o funcionário público aposentado Manoel Miraldo, 60 anos, residente em Marechal Deodoro, a crise no Brasil ainda não é assim tão grave quanto na Argentina, mas confessa que o pior é o desemprego. ?Acho que o governo deveria investir mais na geração de empregos e renda, porque o desemprego é a maior desgraça de uma Nação?, observou Manoel. O dentista Ranulfo Costa Santos acha que o Brasil caminha para uma crise social sem precedentes. ?O País necessita de uma mudança radical no seu aspecto social, ou do contrário, haverá uma convulsão social, uma guerra civil?, disse Ranulfo. Consumidor é o mais sacrificado no contexto A economia brasileira está vivendo um momento de sobressalto com a disparada do dólar e aumentos sucessivos do risco-país (grau de confiança de investidores externos em relação à estabilidade econômica de uma nação). Tarifas de serviços essenciais tiveram reajustes significativos nos últimos 12 meses, sacrificando o consumidor. Mas, mesmo assim, 47% da classe média manauense avalia como regular (ou seja, mediana, média, razoável, suficiente) a situação econômica do Brasil. Porém, num percentual muito próximo, 39,3% classificaram a situação como ?ruim? ou ?péssima?, registrando um alto índice de desaprovação. Os dados vieram à tona com a pesquisa realizada pela empresa Projeção - Pesquisas e Informação, sobre a classe média e a economia. A pesquisa foi realizada no dia 19 deste mês, em dez áreas da cidade. Foram ouvidos 580 moradores de Manaus, distribuídos nas áreas onde se concentram as maiores médias de rendimento salarial da cidade, conforme o Censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As áreas pesquisadas foram Adrianópolis, Aleixo, N.S. das Graças, Planalto, Dom Pedro, Chapada, Centro, Flores, Parque 10 e Ponta Negra. O trabalho identificou também como a classe média se posiciona em termos de ganhos e perdas, principalmente no que diz respeito ao poder de compra e revelou que o maior sonho de consumo da classe média manauense continua sendo de posse de bens imóveis (26,3%), numa relação que incluiu até o pagamento de dívidas (1,9%). O discurso do governo federal sobre o grande ganho da estabilidade econômica do Brasil pós-implantação do Plano Real não está indo de encontro ao que pensa a classe média manauense. Pesquisa da Projeção mostra que a maioria dos pesquisados ? 47% ? acha a situação econômica ?regular?, contra apenas 1,1% que a considera ?ótima?. A soma de ?ruim? e ?péssima? alcança 39,3%, e ?ótima? e ?boa?, 13,3%. Entre o público que acha a situação ?péssima?, a principal causa apontada foi a figura do presidente Fernando Henrique Cardoso, pela política econômica que implantou no Brasil. Para quem acha a situação ?boa?, o motivo é o Plano Real, que obteve 50% das indicações. Comparação Solicitados a fazerem uma comparação da atual situação econômica da família com a realidade de um ano atrás, 45% declararam que o rendimento e o poder de compra pioraram. ?Somente para 11,9% das famílias ocorreu melhora nos rendimentos e poder de compra no último ano?, comenta o diretor de Pesquisas da Projeção, José Henrique P. e Silva. E se o passado revela perdas atuais, a análise sobre o futuro também não é das melhores. Indagados sobre como acham que vai estar, daqui a um ano, a inflação, o desemprego, a corrupção e o salário, 40,7% acham que a inflação vai estar igual; 50% que o desemprego estará ainda pior; 60% que a corrupção também estará pior; e 44,4% que os salários estarão iguais. ?Em que pese certo desânimo com relação à economia do País, cerca de 40,7% das famílias de classe média em Manaus não acreditam que o País corra qualquer risco de descambar para uma situação idêntica a da Argentina. Entretanto, para 56,3% das famílias existem chances, poucas ou muitas, de o Brasil acabar em uma situação como a da Argentina?, analisa José Henrique.

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