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CUT acredita que Brasil pode virar uma Argentina com FHC

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ANA MÁRCIA Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Brasil poderá virar uma Argentina amanhã, se continuar a desenvolver o projeto neoliberal adotado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Naquele País, segundo ressalta o presidente da CUT, Évio Lima, o desemprego atinge os 30%, com manifestações e até mortes de manifestantes desempregados, enquanto no Brasil há regiões que já ultrapassam os 20% de desemprego. ?A cada ano, mais de um milhão de jovens chega a idade de ingressar no mercado de trabalho, incluídos na População Economicamente Ativa e ficam sem emprego. Esse ano serão 1,2 milhão de jovens nessa situação?, diz Évio. Na sua opinião, a crise brasileira pode se agravar, se o governo federal continuar com o processo de desmonte do Estado, as privatizações e uma política econômica que segue a cartilha do Fundo Monetário Nacional (FMI): com abertura indiscriminada das fronteiras comerciais. ?Há a desregulamentação das leis trabalhistas e das leis que regem a economia, a mesma política na Argentina e que a destruiu?, comenta Évio Lima. Diferença A diferença, segundo o presidente da CUT, é que a Argentina adotou o projeto neoliberal inteiramente, sem restrições, que a levou ao fundo do poço, mas no Brasil há algumas resistências. Évio tem certeza, porém, que se esse modelo econômico continuar sendo adotado, a situação não será diferente. ?Só há uma saída para o povo brasileiro: derrotar o projeto de FHC nas urnas e seus compromissos atrelados ao FMI?, comenta, lembrando que a economia está estagnada, enquanto a população cresce. Ele cita a violência decorrente do tráfico de drogas como resultado desse modelo econômico. ?Os traficantes bancam cesta básica, caixão quando morre alguém, escolinha e outros serviços, ocupa o espaço do Estado, formando um governo paralelo, que não pode ser combatido com repressão, sendo necessária uma política social e econômica diferente?, observa. Nesse contexto, o dólar sobe e a bolsa cai ditando regras à economia, por está inteiramente atrelada à especulação financeira, onde não há uma economia baseada na produção. ?Se o País tivesse uma economia de produção e um mercado consumidor forte, estaria menos vulnerável à política econômica internacional e seria mais fortalecido?, completa Évio Lima. País vive pior fase em 5 anos O Brasil está revivendo o pior momento econômico dos últimos cinco anos. Os indicadores financeiros do País estão repetindo o cenário de janeiro de 1999, quando o governo desvalorizou o real para conter uma fuga de capitais. A taxa de risco-Brasil, que mede a percepção dos investidores estrangeiros no País, está cada vez mais próxima de seu recorde histórico, de 14 de janeiro de 1999, dia seguinte à desvalorização, quando alcançou 1.770 pontos. Os C-Bonds - bônus criado após o acordo do governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e que passou a ser os principais títulos brasileiros negociados no exterior - também chegaram ao nível de janeiro de 1999. Em nenhuma das outras graves crises da economia brasileira desde 1997 os indicadores de risco do mercado foram tão ruins. Turbulência E não foram poucos os momentos de turbulência internacional neste período: a crise do sudeste asiático, a moratória russa, a derrocada argentina e o atentado ao World Trade Center. ?Estamos no mesmo momento de janeiro de 1999. O risco implícito de o País não honrar o pagamento de títulos com taxas tão elevadas hoje é percebido da mesma forma que naquela época?, comenta Felipe Brandão, diretor de Mercados Emergentes da corretora Lopez Leon. De acordo com dados da Economática, os C-Bonds atingiram, no dia 14 de janeiro, sua pior cotação: US$ 0,4925. Sexta-feira, dia 21, fecharam em US$ 0,5806. Mas, embora os valores nominais sejam distintos, descontadas as variações de capitalização de cada período, o risco é o mesmo, segundo especialistas. A desvalorização de janeiro foi uma tentativa do governo, na época, de impedir a fuga de capitais do País.

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