Economia
Experi�ncia sertaneja vence obst�culos
Fernando Vinícius Repórter Santana do Ipanema e Olho d?Água das Flores ? Quando há vontade política, recursos disponíveis, participação popular e orientação profissional é possível melhorar a qualidade de vida em comunidades carentes. Em meio à escassez do Sertão alagoano, moradores da zona rural de Santana do Ipanema e de Olho d?Água das Flores vivem experiências até agora bem sucedidas. Um poço de água salobra é transformado em fonte para usos diversos, inclusive consumo humano, investimento que começa a gerar renda em Pedra d?Água dos Alexandres. ### Indústria beneficia castanha de caju Olho d?Água das Flores ? O que é mais importante para a economia de uma região considerada a Terra dos Cajus em Alagoas? A castanha ou a polpa do fruto? Pelo investimento realizado no município sertanejo, a castanha vence a disputa e passa a ser o carro-chefe de uma iniciativa que pesquisa a variedade que servirá para uniformizar a matéria-prima para a produção de iguarias culinárias à base de caju. Menos elaborada, a amêndoa da castanha está sendo processada em equipamentos e mãos humanas na Unidade de Beneficiamento erguida no povoado Águas Brancas, em Olho d?Água das Flores. ### Formação de parcerias levantou fábrica Para concretizar o projeto que coloca as castanhas em linha de produção foi preciso a formação de parcerias. Quem explica é o secretário de Agricultura do município, Silvan Roberto Farias Silva. ?Por sugestão nossa, os produtores pegaram financiamento do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) C, que garante abatimento das prestações pagas em dia. Oitenta produtores da associação se engajaram no projeto, sendo que cada um tomou emprestado R$ 3.700 mil e investiu R$ 700 a título cota-parte para a cooperativa. Os R$ 56 mil restantes foram usados na compra dos equipamentos?, explicou Silvan Farias. ### Funcionárias já sabem receitas com Fruto O processamento da castanha do caju já está garantido na unidade de Águas Brancas. Quando o investimento estiver consolidado, a comunidade já sabe qual será o próximo passo: produzir alimentos à base da polpa da fruta. São mais de 60 receitas, desde um simples bolo a um prato mais elaborado. Vera Maria dos Santos Silva, 44, e Geruza Alves de Andrade Silva, 47, passaram quatro dias em Fortaleza aprendendo as técnicas de preparo. Mãe de dois filhos, Geruza não esquece a muqueca de caju, sugestão culinária que conquistou o sabor da funcionária que trabalha na classificação das castanhas. ### Programa fornece água e culturas rentáveis Santana do Ipanema ? Os três mil litros de água que jorram a cada 24 horas do poço tem gosto salgado. Apesar disso, era consumida por moradores do povoado Pedra d?Água dos Alexandres, zona rural de Santana do Ipanema. ?Eu mesmo já tomei muito dessa água, mas não matava a sede não?, admite o agricultor Manoel de Araújo, 58, mais conhecido como Vando. Nascido e criado na comunidade castigada a cada período de estiagem, o senhor que tem na pele as marcas do sertanejo comemora o funcionamento do dessalinizador instalado pelo Programa Água Doce. ### Planta absorve sal da água e do solo Santana do Ipanema ? Ao lado dos dois viveiros para criação de tilápia, um terceiro tanque com a mesma dimensão armazena a água ainda salobra, enriquecida com o material orgânico produzido nos criatórios do pescado. O reservatório irriga uma plantação de erva-sal, ou melhor, atriplex (Atriplex Nummularia), variedade importada da Índia que pode ser adicionada à ração de caprinos e ovinos, com ganho médio entre 14% e 18% de proteínas. Além de absorver o sal que iria alterar a composição do solo ao ponto de torná-lo infértil, a planta serve para engordar cabras e bodes, próximo passo do investimento classificado como ?sistema de produção ambientalmente sustentável?. ### Comunidade tem água limpa para beber Santana do Ipanema ? Ao invés de caminhar diariamente dezenas de quilômetros sob o sol causticante, os moradores do povoado Pedra d?Água dos Alexandres andam pouco para conseguir água de boa qualidade e nem se importam em continuar carregando baldes na cabeça ou transportando tambores em carroças. ?É muito bom para a gente porque o importante é ter água limpa, boa para beber e cozinhar. Antigamente, tinha que ficar esperando pelo carro-pipa ou então pagar para buscar em algum barreiro. O pior mesmo era quando secava tudo, a gente procurava e não encontrava mais água?, recorda a dona-de-casa Lucidéia dos Santos, 39, mãe de quatro filhos. ///