Economia
Trabalhadores informais vencem a crise
Carlos nealdo Editor de Economia Não é preciso ser especialista para descobrir que as oportunidades aparecem quando menos se espera. Também não é necessário se especializar para concluir que elas estão por toda parte, embora poucos consigam enxergá-las. Os que conseguem, no entanto, geralmente têm histórias de sucesso para contar. Histórias como a do estudante Luiz Henrique de Barros Vieira, 20 ? há um ano administrando um negócio de milho verde. Ou como o trabalhador José da Silva, 32, que abandonou o trabalho de copeiro num grande hotel de Maceió para ganhar a vida como vendedor de coxinhas. Ou ainda a de Jorge Nogueira da Silva, 56, também ex-copeiro de hotel e hoje vendedor de cuscuz. ### Abandonado, carro vira oportunidade de negócios No caso do estudante Luiz Henrique Mendes de Barros Vieira, 20 anos, a oportunidade no mercado de trabalho estava encostada num canto de um depósito de água mineral administrado pelo irmão. Há um ano, um vendedor pernambucano esteve em Maceió para tentar comercializar milho verde cozido pelas ruas da cidade. A então novidade já estava gerando renda para dezenas de pessoas no Recife. Depois de quatro meses de trabalho, no entanto, o pernambucano não teve condições de se sustentar na capital alagoana e decidiu voltar para Pernambuco. ### Milho comercializado vem do Ceará Se no começo Luiz Henrique vendia 50 espigas por dia e comprava o milho na Central de Abastecimento (Ceasa) de Maceió, atualmente o estudante manda buscar o produto no Estado do Ceará, numa escala pelo menos cem vezes maior. Atualmente, além dele, outros vendedores espalhados pela cidade ? muitos na orla ? também vendem milho. ?São todos de Pernambuco, que vieram há um ano, com o rapaz que deixou o carrinho no depósito?, revela. A concorrência não assusta Luiz Henrique, que para manter a qualidade do milho, tem alguns segredos. ?Infelizmente não posso falar, porque aí eu estaria entregando o ouro ao bandido?, diz. Assim como Jorge Nogueira da Silva, o estudante também tem época preferida para as vendas. ?No período junino é a pior época para vender, porque a concorrência e o preço do milho aumentam?. ### De copeiro de hotel a ?rei das coxinhas? A vida de José da Silva, de 32 anos, deu uma guinada no dia em que ele deixou o emprego de copeiro num grande hotel localizado na orla de Ponta Verde, há cinco anos. Com o dinheiro que tinha, comprou um quilo de farinha de trigo e outro de peito de frango. Acostumado a lidar salgados na época de copeiro, decidiu pôr em prática o que aprendera no hotel. Passou parte da noite cozinhando o peito de frango e, às 5 horas da manhã do dia seguinte acordou para desfiar a carne, com a ajuda da mulher. Em apenas duas horas, as 18 coxinhas que levara para as foram vendidas. Mas abastecido financeiramente, ele retornaria para casa com o dobro da quantidade de material comprada no dia anterior. Atualmente, a quantidade oscila entre 100 e 120, que também são vendidas em questão de horas. ///